terça-feira, outubro 25, 2005

In The Mood For Love


Hong-Kong, 2000, 98Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos

O realizador Wong Kar-Wai estabeleceu-se como um cineasta autor. Através da cor e da luminosidade constrói toda uma narrativa baseada nos simbolismos que daí advêm criando o seu próprio estilo. Cada cena é meticulosamente ensaiada e posteriormente filmada de forma a obter exactamente aquilo que visualmente pretende. É um daqueles cineastas perfeccionistas que assumem o cinema como forma de arte.

Sinopse: “In the mood for love” trata do amor platónico entre dois seres, Su Lin (Maggie Cheung) e Chow (Tony Leung). São vizinhos, ambos foram traídos pelos respectivos cônjuges e ambos não se podem ter um ao outro... É esta a premissa de um dos melhores e mais originais romances da história do cinema, filmado com mestria pelo mestre da arte visual, Wong Kar-Wai.

Crítica: Baseado nesta premissa, poderia ser apenas mais um filme romântico. No entanto, as interpretações, as situações vividas e os pequenos detalhes desenrolam a narrativa duma forma única e visualmente cativante. Wong Kar-Wai cria um mundo visual onde cada frame corresponde a uma fotografia de uma beleza rara. É um filme que vive sobretudo da insinuação em detrimento da concretização. Há um enorme amor entre Lin e Chow, fortíssimo mesmo, mas em última análise impossível de concretizar.

As performances dos dois actores são sublimes, sendo capazes de transmitir uma sensualidade e desejo quase cerebrais, fruto de uma relação platónica, baseada na sugestão. Apesar dos protagonistas falarem muito pouco em cada cena, conseguem transmitir ao espectador a crescente paixão e emoção entre eles, cada vez que aparecem juntos no écrân.

A estética do filme é desenvolvida através do uso extremo da luz e cor, tendo, portanto, a música um papel preponderante, na criação do ambiente. Com poucos diálogos e uma montagem quase marginal, Wong Kar-Wai repete alguns temas musicais, em determinadas cenas, para enfatizar o estado emocional dos protagonistas e suportar a bela fotografia.

Realizado a partir de um argumento quase inexistente e privilegiando a improvisação, “In the mood for love” é considerado por muitos como a obra-prima do realizador de Hong-Kong. Poderá, no entanto, ser um filme de difícil visualização, uma vez que é único na abordagem artística que faz ao género romance, tantas vezes destruído pelos clichés lamechas dos homónimos americanos do género. Para ser visto com disposição e atenção.

Classificação: 8/10

Sérgio Lopes

Mais Críticas 1

9 Comments:

Blogger nuno said...

vi o 2046 num festival, na sessão das 08h30 da manhã, com 800 pessoas numa sala!!! elucidativo... parabéns pela especialização do blog.

3:56 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Embora inferior a vários niveis, acabei por gostar ainda mais de 2046, talvez porque não haja tanta insinuação mas um pouco mais de concretização. Mas Wong kar-Wai é único...

PS: Nuno: Obrigado pelos elogios. Vai aprecendo

12:48 da manhã  
Blogger Nic said...

A forma como Wong Kar-Wai retrata os relacionamentos nos seus filmes, e' influenciado pela forma como ve a relacao entre Hong Kong e a China.
E' arte, de facto... e com profundidade!

2:02 da manhã  
Blogger cine-asia said...

è verdade, Wong Kar-Wai a par de Kim Ki-Duk são os novos valores da arte cinematográfica asiática. Sem dúvida, sem comparação.

2:31 da tarde  
Blogger Paulo Angelo said...

O Sergio fala em sugestao, mas eu poria antes a tonica na "suspensao" enquanto exercicio de intemporalidade estetica.
Entao, pra mim nao é um filme sobre um(o) romance e sobre comportamentos, mas acima de td é como uma analise e filmagem impressionista, no sentido do q se pretende é a suspensao do espectador em impressoes e sentimentos vagos sempre sensibilizados e dinamizados em continuum por um tempo e acção "lentas", cor(ex vestidos) e luz neon, simbolo por excelencia do novo mundo urbano e dos dif espectros humanos q anonimamente por la pairam.
Se conhecerem por ex a pintura do Edward Hopper entenderaõ logo sobre o q estou a falar e como era desnessario eu ter "viajado" tanto ;))

1:20 da tarde  
Anonymous Miguel Louro said...

Bom este é 1 filme k ainda nao tive a oportunidade d visualizar mas pelo k li estou perante 1a das mais belas e xocantex histórias d amor... pena q a edição portuguesa (LUSOMUNDO) n seja a melhr em termus d extras (até pq em varios paises europeux u filme apresenta-s rexeadu d extras...)... é u msm k x sucede kom u 2046 q tem uma edição d se deitar fora... este filme deveria ter sido adquiridu pela VITÓRIA FILMES ou pela ATALANTA ou pr outra distribuidora q fizesse jux ao seu valor... enfim as editoras em portugal kontinuam a desprezar u melhr cinema du mundo

1:19 da tarde  
Anonymous Luis Peres said...

Este filme e 2046 estão definitivamente entre os filmes da minha vida.
E tal como a própria narrativa dos dois filmes pode ser subjectiva, se calhar é mais facil mostrar o filmes ás pessoas do que falarmos deles.
Tanto o In The Mood For Love como o 2046 são dois exemplos daquele cinema que é cada vez mais raro. Filmes que nos fazem sentir sem precisar de racionalizarmos o que estamos a ver.
Eu adoro estes filmes porque antes de mais provocam uma emoção em quem se identifica com eles e só depois interessa a própria historia.
Isto é sempre uma grande complicação tentar apresentar estes filmes a quem não os conhece e está habituado a um cinema mais linear. O pessoal fica sempre com aquele velho preconceito de é tudo filmes para intelectuais.

Uma coisa curiosa é o facto de In The Mood For Love ter sido um verdadeiro exito na asia junto do publico adolescente e um fenomeno de culto. Algo que jamais aconteceria aqui no ocidente , onde a malta se fosse ao cinema ver isto, primeiro metade dos teens não conseguiam estar calados o tempo suficiente para sequer apreciarem o filme e outra metade iria dizer que era filme seca para intelectuais.

Quanto a mim, eu adoro este filme e recomendo-o sempre a toda a gente. Depois deste e do 2046 nunca mais consegui ouvir uma musica do Nat King Cole e nao associa-lo imediatamente ao universo destes filmes.

Sugiro a edição de 2 discos UK pois os extras são fantasticos e o som em surround é fabuloso, ao contrario da edição quase mono e pobrezinha editada em portugal.
Para o 2046 sugiro a edição de dois discos a venda na Play-Asia. Bons extras e de excelente qualidade visual e sonora tambem.

E ja agora se quiserem ver a pre-quela nao se esqueçam do DAYS OF BEING WILD onde se conhece a juventude da personagem feminina do In The Mood For Love.

In the Mood For Love, quanto a mim leva na maior das calmas 10 pontos em 10.
Adoro este filme. Embora nunca saiba bem se gosto mais deste ou do 2046.
Sugiro a compra dos dois.

2:36 da manhã  
Blogger Sweet Patrice said...

este filme é pura poesia.

10:25 da manhã  
Blogger greice said...

É verdade que teve a participação da atriz brasileira Ana Helena Berenguer? Fiquei curiosa! Gostaria de ver este filme.

9:24 da tarde  

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