segunda-feira, Julho 07, 2008

Fim do Cineasia

Pois é meus amigos, tudo tem o seu tempo de duração e o do cineasia expirou. Foram quase 3 anos a escrever sobre cinema asiático... Conheci muita malta da blogosfera, aprendi muito sobre esta nobre corrente de cinema asiático e foi um enorme prazer colaborar com outros grandes bloggers e ter grandes escribas a colaborar no meu blogue.

Espero ter dado a minha cota de ajuda a referenciar alguns filmes duma cinematografia com pouca projecção mas que vai ganhando os seus adepotos.

No entanto, a minha vida profissional não permite continuar a actualizar o blogue como devia e já nem mesmo a preciosa ajuda da Helena consegue levar o projecto para a frente.

Quanto a mim continuarei fiel à minha paixão sobre cinema e sempre atento ao que se passa neste mundo da 7ª arte...

1 abraço a todos os cinéfilos e... bons filmes! (de preferência asiáticos)

Sérgio Lopes

sexta-feira, Maio 23, 2008

Estreia da Semana – Triangle


Após uma passagem no último Fantasporto, onde foi distinguido como melhor filme da secção “Orient Express”, eis que chega às salas (ou deverei dizer à sala?) Triangle (Triângulo no título português), assinado por três dos mais célebres realizadores de Hong Kong: Tsui Hark, Ringo Lam e Johnnie To (este último recentemente homenageado no Indie Lisboa). A sinopse dá conta de uma busca por um tesouro levada a cabo por três amigos, busca essa que os conduz a situações extremas motivadas pela ganância. O resultado está à vista, pelo menos na sala do cinema Alvaláxia em Lisboa que, tanto quanto sei, é o único sítio onde o filme estreou ontem em Portugal...

Helena F.

domingo, Maio 18, 2008

The Forbidden Kingdom


EUA, 2008, 113 min.

Página Oficial - Trailer - Fotos


Sinopse: Jason (Michael Angarano) é um jovem americano fascinado com artes marciais chinesas, que devora em filmes e videojogos. No meio de um ataque à loja de penhores de um ancião chinês que costuma frequentar, Jason acorda misteriosamente na China antiga. Uma vez lá, trava conhecimento com um conjunto de peculiares personagens, nomeadamente um viajante embriagado (Jackie Chan), um monge solitário (Jet Li) e uma jovem em busca de vingança pela morte dos pais (Liu Yifei). Todos o vão ajudar a cumprir a missão que o levou até à China de outros tempos: devolver um misterioso bastão ao seu legítimo dono, o Rei Macaco, aprisionado sob a forma de pedra pelo maléfico senhor da guerra do reino de Jade (Collin Chou).

Crítica: Realizado por Rob Minkoff, The Forbidden Kingdom é uma obra que procura misturar ingredientes de filmes de aventuras americanos com películas de artes marciais chinesas. A ideia não será inédita. Cruzamentos entre a tradição de entretenimento dos EUA e do Oriente já se encontram em obras tão diversas como Karate Kid ou Kill Bill, para não falar dos clássicos com Bruce Lee que o protagonista do filme tanto admira como Enter the Dragon.
Minkoff, que assinou sucessos assinaláveis de cinema juvenil como The Lion King ou The Haunted Mansion, mantém algum do espírito infanto-juvenil que presidiu a essas obras. Assim, The Forbidden Kingdom não andará longe de uma deliciosa matiné de adolescência, um divertimento tão inocente como fácil de desfrutar. Não terá os almejos artísticos dos poéticos wuxias de Zhang Yimou ou de Crouching Tiger, Hidden Dragon de Ang Lee. Mas também não é particularmente violento, sendo as cenas de luta muito bem coreografadas e montadas.
No entanto, mencione-se a intenção de homenagear alguns filmes de artes marciais, mais antigos ou recentes, como Come Drink With Me (1966) ou Bride With White Hair (1993). Essa intenção começa logo, aliás, no bem conseguido genérico, feito a partir de cartazes de filmes clássicos do género. Refira-se, contudo, que apesar das referências cinéfilas, a história do filme é levemente inspirada num clássico... da literatura, Journey Into the West (bem como em várias lendas chinesas).


O grande trunfo de Forbidden Kingdom é reunir pela primeira vez no ecrã duas das maiores estrelas orientais que têm trabalhado no Ocidente: Jackie Chan e Jet Li. Chan mais divertido e Li mais contemplativo no papel do monge (conquanto excelente nas breves cenas como Rei Macaco), formam uma dupla curiosa que resulta bem em alguns momentos como a luta no templo quando se encontram pela primeira vez ou a disputa no treino de Jason. Este é dado à vida pelo jovem americano Michael Angarano (Almost Famous, Dear Wendy), que fisicamente lembra por vezes Shia LaBeouf (estrela de Transformers e do mais recente Indiana Jones), presença competente mas sem nada de particularmente distintivo em relação a tantos outros jovens actores da actualidade.

Filmado na China, em paisagens magníficas como o deserto de Gobi ou a floresta de bambu de Anji (onde também foi rodado Crouching Tiger, Hidden Dragon), The Forbidden Kingdom é, como já referi, um trabalho de entretenimento despretensioso, que cumpre, com algumas previsíveis previsibilidades (passe a repetição) os requisitos básicos de um razoável filme de aventuras. De reforçar, no entanto, a ideia de união e da possibilidade de uma genuína amizade entre Ocidente e Oriente, firmada nos laços que se estabelecem entre o protagonista e os seus companheiros orientais, em tudo contrastantes com os ocidentais que o perseguem e agridem.
The Forbidden Kingdom é uma proposta agradável para se ver em família ou amigos e embora algumas cenas resultem particularmente bem no ecrã grande, certamente não calharão mal daqui a uns tempos numa tarde em frente à televisão.

Helena F.

quinta-feira, Maio 15, 2008

Estreia da Semana – The Forbidden Kingdom


Oficialmente The Forbidden Kingdom (em português O Reino Proibido), que hoje chega às salas portuguesas, é um filme americano mas praticamente toda a trama se passa na China, foi filmado na China e tem como protagonistas dois dos mais célebres actores chineses, estrelas tanto no Oriente como no Ocidente: Jackie Chan e Jet Li.
Homenageando outros filmes, mais (ou menos) clássicos, de artes marciais, The Forbidden Kingdom é uma obra de aventuras bastante satisfatória, ideal para uma ida ao cinema com amigos e uma proposta recomendável para uma matiné em família. O realizador Rob Minkoff conta no curriculum com sucessos como O Rei Leão, Stuart Little e The Haunted Mansion e essa habilidade em fazer filmes à partida mais vocacionados para um público infanto-juvenil não foi propriamente desbaratada.
E mais não digo, por agora. Mas contem com uma crítica aqui no Cine-Asia muito brevemente.

Helena F.

domingo, Maio 04, 2008

Indie Lisboa premeia filmes asiáticos

Wonderful Town

Os vencedores da edição de 2008 do festival Indie Lisboa foram anunciados ontem e entre os grandes prémios contam-se dois filmes asiáticos. O tailandês Wonderful Town de Aditya Assarat, história de amor num cenário pós-tsunami, venceu o Grande Prémio de Longa-Metragem “Cidade de Lisboa”. O chinês Night Train de Diao Yi Nan, retrato de solidão e expiação de uma guarda prisional nos cinzentos espaços de Xi'an, obteve a menção honrosa na mesma categoria.
Os filmes vencedores serão hoje exibidos novamente. Para mais informações e lista completa dos premiados consultem o site oficial.

Night Train

Helena F.

quarta-feira, Abril 23, 2008

Festival Indie Lisboa


De 24 de Abril a 4 de Maio, Lisboa recebe a quarta edição do Festival Indie Lisboa. Deixo aqui a programação de longas-metragens asiáticas que serão exibidas, salientando as muitas de Johnnie To, um dos “heróis independentes” deste ano.
Além das longas, há algumas curtas-metragens vindas da Ásia, mas remeto para a programação completa no site do festival, onde também se podem obter informações sobre as salas, os preços e as localizações dos cinemas.
Refira-se ainda que a sessão de abertura está a cargo de um filme realizado por um asiático, Wong Kar-Wai: My Blueberry Nights, filmado pelo chinês nos Estados Unidos.

Programação de Cinema Asiático:

Quinta, dia 24

Cinema Londres
21:45 – The Mission, de Johnnie To (Hong Kong)
00h – Running Out of Time, de Johnnie To (Hong Kong)

Sexta, dia 25

Cinema Londres
23:30 – Wu Yen, de Johnnie To e Wai Ka-Fai (Hong Kong)
00h – The Heroic Trio, de Johnnie To (Hong Kong)

Cinema São Jorge
16h – Useless, de Jia Zhang-Ke (China)
19h – A Hero Never Dies, de Johnnie To (Hong Kong)

Sábado, dia 26

Fórum Lisboa
16h – The Mission, de Johnnie To (Hong Kong)

Cinema Londres
23h30 – Help!!!, de Johnnie To e Wai Ka-Fai (Hong Kong)
00h – Running on Karma, de Johnnie To (Hong Kong)

Cinema São Jorge
16h – PTU, de Johnnie To (Hong Kong)

Domingo, dia 27

Cinema Londres
15h – Throw Down, de Johnnie To (Hong Kong)

Cinema São Jorge
18:45 – Wonderful Town, de Aditya Assarat (Tailândia)
19h – Running Out of Time, de Johnnie To (Hong Kong)
21:45 – Xia Jin Rentre à la Maison, de Damien Ounoury (França – sobre Jia Zhang-Ke)

Segunda, dia 28

Cinema Londres
15h – The Heroic Trio, de Johnnie To (Hong Kong)

Terça, dia 29
Cinema Londres
21:45 – Night Train, de Diao Yinan (China)

Teatro Maria Matos
19:15 – Loving You, de Johnnie To (Hong Kong)

Cinema São Jorge
18:45 – Sparrow, de Johnnie To (Hong Kong)
19h – Mad Detective, de Johnnie To e Wai Ka-Fai (Hong Kong)
21:45 – Sparrow, de Johnnie To (Hong Kong)

Quarta, dia 30
Cinema Londres
15h45 – Help!!!, de Johnnie To e Wai Ka-Fai (Hong Kong)
18:30 – The Rebirth, de Masahiro Kobayashi (Japão)
21:15 – Sad Vacation, de Aoyama Shinji (Japão)

Cinema São Jorge
16h – Xia Jin Rentre à la Maison, de Damien Ounoury (França – sobre Jia Zhang-Ke)
16:15 – Wonderful Town, de Aditya Assarat (Tailândia)
23:30 – The Juche Idea, de Jim Finn (sobre a Coreia do Norte)

Sexta, dia 2
Cinema Londres
15:45 – The Rebirth, de Masahiro Kobayashi (Japão)
18:30 – Night Train, de Diao Yinan (China)

Teatro Maria Matos
23:45 – Useless, de Jia Zhang-Ke (China)

Sábado, dia 3
Cinema Londres
18:30 – A Hero Never Dies, de Johnnie To (Hong Kong)
21:15 – Wu Yen, de Johnnie To e Wai Ka-Fai (Hong Kong)
00h – Mad Detective, de Johnnie To e Wai Ka-Fai (Hong Kong)

Cinema São Jorge
18:45 – PTU, de Johnnie To (Hong Kong)

Domingo, dia 4
Cinema Londres
15:45 – Throw Down, de Johnnie To (Hong Kong)
21:15 – Running on Karma, de Johnnie To (Hong Kong)

Teatro Maria Matos
19:15 – Loving You, de Johnnie To (Hong Kong)

Cinema São Jorge
21:15 – The Juche Idea, de Jim Finn (sobre a Coreia do Norte)

Helena F.

sábado, Abril 05, 2008

Days of Being Wild (A Fei zheng chuan)


Hong Kong, 1991, 91 min.

Página Oficial - Trailer - Fotos


Sinopse: Yuddy (Leslie Cheung) é um homem diletante que seduz mulheres mas mantém uma relação conturbada com a mãe adoptiva (Rebecca Pan), a quem pressiona para saber a identidade e o paradeiro da mãe verdadeiro. Uma das mulheres com quem ele se relaciona é Li zhen (Maggie Cheung), que termina a relação e fica destroçada quando ele não a aceita de volta. O guarda da zona, Tide (Andy Lau), torna-se seu confidente e desenvolve silenciosamente uma particular afeição por ela. Entretanto Yuddy enceta uma relação com Mimi (Carina Lau), mulher extrovertida a quem também acaba por deixar. Para Yuddy a única mulher que interessava conhecer era a mãe incógnita.

Crítica: Days of Being Wild é o segundo filme realizado por Wong Kar-Wai mas o seu estilo já se encontra aqui bem definido. A nível de enredo encontramos as histórias cruzadas e os conflitos interiores das personagens, algumas bastante complexas, como o protagonista. Este rejeita as mulheres com quem se relaciona (e mesmo a madrasta, com quem mantém laços de natureza ambígua) e apenas se mostra empenhado em descobrir a mãe. Na verdade, a busca era por si próprio, pela sua verdadeira identidade.

As palavras aqui têm uma importância secundária. Importa construir uma atmosfera, sugerir com uma subtileza admirável estados de alma. Veja-se a cena em que Maggie Cheung fala com Tide de fora do portão, como se estivesse em frente das grades de uma prisão, retrato visual de uma prisão... emocional. Importa também evocar o tempo (outro aspecto característico de filmes de Wong) e os seus efeitos, seja pela referência constante ao minuto que selou eternamente a ligação de Yuddy e Li zhen, seja pelos vários planos de relógios.


Dos espaços notamos a predilecção pelos quartos e cafés, bem como pelas ruas, com uma mostra do que é a arte de filmar pessoas a andar. Por todo o filme observamos um cuidado particular com a fotografia – este filme assinala o início da colaboração com Christopher Doyle – onde a criação de um ambiente sedutor e melancólico é muito feita pelas cores e pelas sombras. Há um sentido nostálgico notório, que encontraremos na sua forma perfeita em In The Mood For Love. Também aqui se evoca um tempo passado e também aqui as figuras das personagens principais pautam pela elegância, embora acompanhadas de uma certa aura decadentista. Há que referir ainda a bela banda sonora, sendo a música claramente uma área em que os filmes de Wong Kar-Wai também se destacam.

Este filme reúne vários nomes sonantes do cinema e/ou da música chinesa. Em grande destaque temos Leslie Cheung, que tem uma prestação assinalável como Yuddy, construindo uma personagem fria e narcisista mas, ao mesmo tempo, apenas perdida. Alguns anos depois ele teria o papel de uma vida em Farewell My Concubine, de Chen Kaige (aos 46 anos pôs termo à vida, deixando a memória de uma carreira de retumbante sucesso na música e no cinema chinês). Refiram-se ainda a contenção de Andy Lau, a exuberância de Carina Lau e a presença da veterana da canção Rebecca Pan. Mas a composição mais tocante acaba por ser a de Maggie Cheung como a frágil Li zhen.

Days of Being Wild é pois um brilhante exemplo da mestria de Wong Kar-Wai, e em como ela já era evidente nos primeiros trabalhos. A poucas semanas de o reencontrarmos em My Blueberry Nights, que abrirá o festival Indie Lisboa, é sempre bom voltar à sua obra extraordinária.


Helena F.