sábado, março 24, 2007

The Isle (Seom)

Coreia do Sul, 2000, 88Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos


Sinopse:
Depois de perder a inocência, uma mulher deixa de falar. Como um pássaro numa gaiola, vive isolada numa ilha bordel onde dá bebidas aos pescadores e os consola, juntamente com outras mulheres, nas horas de aborrecimento. A chegada à ilha de um pescador com vontade de se suicidar vai quebrar-lhe a rotina. Apesar de o ter salvado da morte e de ser a sua amante, a mulher não consegue prendê-lo ao seu amor. O final é feito de horror, sangue e muitos anzóis...

Crítica: Kim Ki-Duk é um dos nomes incontornáveis da nova vaga do cinema coreano, um cineasta com a sua marca autoral e que gera opiniões contrárias sobre as suas obras. No seu próprio país de origem os seus filmes não são gerlamente bem recebidos e curiosamente têm melhores resultados fora de portas. Por essa razão, filmes como Bad Guy, Samaria ou The Isle, são filmes que por explorarem a sexualidade de uma forma peculiar, geram aclamação e ódio quase em igual medida, sobretudo pela forma violenta e chocante como Ki-Duk aborda o tema, embora sempre poética.

E The Isle (em português O Bordel Do Lago) não foge è regra. Trata-se de um objecto desconcertante explora a problemática dos relacionamentos humanos na sua forma mais visceral e primitiva. A acção decorre numa ilha, com carcterísticas especiais, onde pequenas casas flutuam no lago que a circunda e permitem aos homens transformar em realidade as suas mais estranhas fantasias sexuais.

Hee-Jin, uma bela surda responsável por conduzir os homens às respectivas casas, vai se envolver com um polícia fugitivo, Hyun-Shik, num relacionamento que tem tanto de passional como de obsessivo e sádico. Duas almas desesperadas vão viver um relacionamento explosivo, que culmina em violência e morte, após os ciúmes integrarem a equação.

Embora à primeira vista, a premissa seja bastante básica, a forma poética como Ki-Duk desenvolve a narrativa, permite-lhe afastar de quaisquer clichés. Com pouquíssimos diálogos, a acção avança através dos actos dos personagens e das suas decisões. Por essa razão, o ambiente é sereno e o desenvolvimento bastante lento, mas a forma poética e metafórica como Ki-Duk aborda o tema e o visual assombroso do lago, permitem que a acção se desenrole com normalidade.

Aliás, a beleza dos cenários contrasta com o manancial de personagens desesperadas e com a violência dos actos. Os anzóis, como elementos metafóricos, são utilizados para fins muito pouco recomendados e são capazes de impressionar os mais sensíveis. Algumas cenas onde peixes são cruelmente cortados (vivos e na realidade), não devem ser do agrado dos defensores dos animais.

Kim Ki-Duk, cria com The Isle, um filme esteticamente belo, intimista, mas de dificil visualização, onde explora o relacionamento de dois seres, de forma depressiva, negra e violenta. O final do filme é deixado em aberto e embarca no limite entre o real e o surreal, remetendo ao espectador a sua própria interpretação. Vencedor do prémio especial do júri e do prémio de melhor actriz para Jung Suh, na edição do Fantasporto de 2001, 'O Bordel Do Lago' é um dos títulos incontornáveis na filmogrfia de Kim Ki-Duk, um filme que visa a exploração sexual e os relacionamentos pessoais, como só o cineasta coreano o sabe fazer.

Sérgio Lopes

2 Comments:

Blogger wasted blues said...

Ansiosa por ver isto!

8:32 da tarde  
Anonymous maxbrittus said...

nossa maravilhoso seu blog, altamente recomendavel baixei alguns filmes graças a seus detalhados comentarios , isso ajuda ( e muito) um cinefilo a procura de obras alternativas fuindo do filão comercial . + uma vez parabens.....

5:08 da manhã  

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