terça-feira, fevereiro 19, 2008

Electric Shadows (Meng ying tong nian)


China, 2004, 93min.

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Mao Dabing é um jovem que vive sozinho em Beijing. Trabalha como entregador de água engarrafada e passa todo o tempo livre no cinema. Um dia, quanto se deslocava de bicicleta para mais uma entrega, choca com um amontoado de tijolos e cai, sendo logo em seguida agredido na cabeça por uma rapariga enfurecida. Quando a reencontra ela na esquadra, ela não lhe dirige qualquer palavra mas faz-lhe um estranho pedido por escrito: que vá a sua casa dar de comer aos peixes. Ao entrar no apartamento da estranha agressora, Mao Dabing descobre um pequeno santuário cinéfilo. E descobre também a identidade da jovem: ela é Ling Ling, sua grande amiga de infância. Lendo os seus escritos, ele descobre o que lhe sucedeu desde que se separaram.

Crítica: Electric Shadows tem sido descrito como o Cinema Paraíso chinês. De facto, há algumas similaridades, nomeadamente na influência determinante do cinema na vida dos protagonistas. Mas não se trata de um remake ou algo do género. Electric Shadows aproximar-se-á de alguns filmes chineses, no tom nostálgico evocativo do passado. O facto de a maior parte do filme se passar numa aldeia também reforça essa aura. Há, pois, dois tempos e dois espaços no filme: um presente na cidade e um passado (anos 70), que Mao recorda ao ler o caderno de Ling Ling, passado na aldeia onde se conheceram e onde a sua amizade floresceu perante as imagens mágicas do cinema ao ar livre. Se em Cinema Paraíso se homenageavam clássicos do cinema americano e italiano, em Electric Shadows evoca-se o cinema chinês ou da aliada Albânia, como Street Angel ou Victory Over Death.


O facto de o tempo passado ser narrado em voz off por Ling Ling reforça o tom intimista do filme já que passamos a conhecer os seus pensamentos. É pela sua escrita do passado que ela ganha voz – uma voz que até então não ouvíramos no presente. E, ao lê-la, Mao Dabing empreende o seu próprio processo de recordação, fazendo alguns comentários que atestam a convocação das suas memórias. Tal leva-o, depois de terminar o relato de Ling Ling, a procurá-la e a tentar um reencontro menos acidentado que o do início do filme.
Além do papel determinante do cinema na vida de Ling Ling e Mao Dabing, a família de Ling Ling, nomeadamente a mãe, tem bastante relevo. Aliás, é a mãe de Ling Ling que primeiro emerge como a figura de “heroína” do filme, a mulher que vence as dificuldades de aceitação na aldeia inspirada pela personagem de um filme e que, depois, “salva” Mao de um pai violento, contribuindo decisivamente para o estreitar da relação entre a filha e o novo amigo. Só depois Ling Ling se assume como a figura feminina forte, tornando-se as suas angústias familiares o tema central de uma parte do grande flashback.
Faça-se uma pequena nota elogiosa para os actores Zhang Yijing e Guan Xiaotong, que dão vida a Mao e Ling Ling na infância e que são simplesmente encantadores na incorporação das suas personagens: ele irrequieto e gozão, ela determinada e, ao mesmo tempo, frágil.

Co-escrito e realizado por Xiao Jiang, que até agora apenas fez este filme, Electric Shadows é um drama particularmente bonito pelo papel que o cinema assume na sua história mas que não deixa de ser também comovente enquanto crónica familiar e de crescimento.


Helena F.

2 Comments:

Blogger Nuno said...

Helena,

Mais uma fantástica análise a um filme, que eu gostei. Já o vi há algum tempo, mas lembro-me de, ao vê-lo, lembrar-me de "Cinema Paraíso" (apenas um dos melhores filmes da minha vida). Lembro-me também que na altura fiquei fascinado com a interpretação de duas crianças.
Um filme que sem ser uma obra prima, eu também aconselho a que vejam.

Nuno

1:34 da manhã  
Blogger Ruyter said...

gostei muito desse filme...

onde poderia encontrá-lo para download?

9:28 da manhã  

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