terça-feira, dezembro 05, 2006

Riding Alone For a thousand Miles (Qian li zou dan qi)


Hong-Kong/China/Japão, 2005, 107Min.

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Sinopse: Ao saber que o seu filho foi diagnosticado com cancro, o pai resolve partir para uma jornada rumo a Yunnan, um pequeno vilarejo chinês para cumprir o último desejo do seu filho: filmar um artista de uma ópera chinesa.

Crítica: Takata é um pai ausente que não vê o seu filho há anos após uma briga. Este, seguindo seus passos, também não tem intenção nenhuma de revê-lo e qualquer tentativa de reatar um relacionamento se perde diante de um sentimento de indiferença e de arrogância. Assim, pode-se dizer que eles levam à letra a máxima “tal pai, tal filho”.Um dia, o seu filho é diagnosticado com uma doença terminal, um facto que poderia abrir as portas para uma reaproximação, mas o que se vê é apenas a manutenção de uma atitude repulsiva onde sequer trocam olhares.

Por meio da sua nora, o pai fica a saber que o seu filho estava a trabalhar num documentário sobre uma ópera chinesa numa remota vila na China. Descobre que ele não pôde terminar a obra devido à doença. Restava somente filmar um artista que apresentava a peça “Um Longo Caminho”. Assim, Takata assume uma mea-culpa; deixa um pouco seu orgulho de lado e parte para o local na tentativa de filmar o artista.

Yimou apresenta-nos um olhar pelos anos de um tormento mútuo que não poderia simplesmente ser solucionado com uma simples viagem. Takata descobre que o tal cantor havia sido preso e que a solução mais fácil seria retornar ao Japão e pedir desculpas formais. Mas o mesmo sentimento de orgulho que o manteve longe de seu filho, faz com que ele mantenha o foco no seu objectivo e faça de tudo para ir até o fim. São diante dessas dificuldades que ele percorre seu caminho interior de análise e de auto-descoberta.

No decorrer do filme, o realizador apresenta-nos personagens que, não só o ajudam na jornada, mas também servem para traçar um paralelo entre o mundo de Takata e a possibilidade de entender um mundo perdido nalgum canto de sua vida. Assim, aos poucos, vai desconstruindo a figura de um pai desprovido de sentimentos e substituindo por um olhar que mistura a descoberta de novos sentimentos e também da frustração diante do passado.

Diferente de toda a peripécia visual apresentada, por exemplo, em HERO ou HOUSE OF FLYING DAGGERS, Yimou faz da simplicidade o segredo do filme. Trabalha as diversas faces da amizade diante de um olhar íntimo e fraternal e nos faz saborear um filme, ao mesmo tempo, dramático, engraçado e tocante, onde a aventura do pai soa como uma metáfora da viagem que cada um de nós estamos a efectuar; e que os caminhos que escolhemos percorrer dependem somente de nós.

Classificação: 7/10

Ric Bakemon

1 Comments:

Blogger Tato said...

fiquei curioso

4:03 da tarde  

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