terça-feira, agosto 21, 2007

Ichi The Killer (Koroshiya 1)

Japão, Coreia do Sul e Hong Kong, 2002, 128Min.

Sinopse: Um chefe da máfia japonesa, conhecido como Anjo, desaparece com 3 milhões de yenes. Kakihara, líder do seu gangue e extremamente leal á Anjo, vai atrás dele, mas cria mau estar com as demais facções da Yakuza e dá início a uma sangrenta guerra em Tóquio...

Crítica: Há um facto concreto: os filmes de Takashi Miike não são para qualquer um, principalmente para os que têm estômago fraco. Já dirigia filmes desde 1990, mas tornou-se conhecido no final da década de 90 com ‘Audition’, que passou por diversos festivais em todo mundo. A partir de então firmou o seu estilo e as suas principais características: geralmente obras sobre a yakuza, extremistas, violentas e, de certa forma, com doses de humor. Lançou grandes filmes como ‘Visitor Q’, ‘Dead or Alive’, ‘Imprint’ (da série Masters of Horror), entre outros.

Baseado no mangá de Hideo Yamamoto, tudo começa com o desaparecimento de Anjo, um dos chefes da Yakuza. Junto com ele desaparecem três milhões de yenes (cerca de 50 mil dólares) e surge a suspeita de ele ter roubado o dinheiro para fugir com uma prostituta. O mais fiel dos seus capangas, o cruel e masoquista Kakihara (o inspirado Tadanobu Asano), recusa-se a aceitar a suspeita e acredita que ele tenha sido sequestrado ou assassinado por rivais. Já de começo (e é somente o começo...) ele aplica uma monstruosa tortura num suspeito do tal sequestro, que por ventura é um líder de outro gangue. Ao presenciar o ocorrido, Jiji, ex-policia envolvido com a Yakuza, resolve contratar Ichi, um exímio e problemático assassino, para dar fim aos planos de Kakihara.

Após alguns minutos podemos ver as principais características das obras de Miike: primeiro um homem a espancar uma mulher e logo depois a cena da tortura, um sujeito pendurado por ganchos recebe uma panela de óleo quente nas costas (!), sem contar os que já morreram entretanto. E foram 15 minutos apenas! Ultraviolence é a primeira palavra que surge na mente. O frenesim inicial vai tomando forma aos poucos, dando espaço para as sequências sanguinárias e sádicas, para os litros e litros de sangue que jorram na tela enquanto corpos e membros voam por todos os lados, espancamentos, torturas, prostitutas e masoquistas. Um ambiente próximo do surreal.

Ao ler isso pode parecer que é um filme B, mas a habilidade do realizador em executar as cenas (quanto mais hardcore mais perto é o close, como na cena onde Kakihara corta a própria língua), conduzir os actores (você ficará algum tempo a pensar em Kakihara e Ichi), de criar uma atmosfera violenta, insana e ao mesmo tempo cômica, torna tudo mais interessante. Junte tudo isso a uma fotografia forte e pesada e uma trama narrada nos moldes de um mangá, cheia de surpresas e situações inimagináveis. O resultado é algo que faria Tarantino ficar enjoado e maravilhado ao mesmo tempo. Se não fosse a segurança de Miike na realização, o filme poderia cair ou para o tosco ou para o caricato demais. É exatamente esse limite, essa extremidade que faz do seu trabalho algo especial, inovador e diferente.

Ichi The Killer não é para qualquer um. É uma obra forte, pesada e violenta, de um realizador corajoso e inteligente, com um estilo muito peculiar e que sabe até onde pode conduzir as suas ideias e técnicas. Com protagonistas muito bem trabalhados e um ambiente que mistura surrealismo com um pouco de comédia, o filme faz jus ao status de culto assim como Takashi Miike faz juz ao status de enfant terrible nipônico no cinema.

3 Comments:

Blogger cine-asia said...

Marcus, excelente crítica, apesar de pessoalmente não gostar do filme. Considero-o demasiado violento, mesmo sabendo que é baseado num manga. Prefiro de longe, Audition...

3:56 da tarde  
Anonymous Alex said...

No ocidente se ovaciona Tarantino e o Rodrigues pelos seus filmes, tudo bem, até vai, mas o Miike Está anos luz na frente, os filmes dele são foda, é pesado, é forte e não perde o valor artístico, o cara é bom e faz filme pra caramba. abço Alex

8:35 da manhã  
Anonymous miguel louro said...

espero ansiosamente pelo BIG BANG LOVE, JUVENILLE A =D esse sim é 1 registo de Miike =0 nem todos podem dar ao luxo de gostar deste mestre
1 abraço

11:42 da manhã  

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