terça-feira, setembro 12, 2006

Hero (Ying Xiong)

China, 2002, 99 minutos

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Na China antiga, antes do reinado do primeiro imperador, facções guerreiras espalhadas pelos Seis Reinos, planeiam assassinar o governador mais poderoso, Qin. Quando um oficial derrota os três maiores inimigos do governador, ele é convocado ao castelo de Qin para contar a sua incrível vitória...

Crítica: Zhang Yimou, que anteriormente só havia feito filmes de arte, com um ritmo mais lento, presenteia-nos com esse belíssimo trabalho. Mesmo que Yimou denomine de “filme comercial”, Hero mantém com extrema beleza, a arte presente nos seus filmes anteriores. Aclamado e chamado por muitos críticos de “poesia em forma de filme”, Hero faz jus a tal classificação.

Como numa verdadeira poesia, Hero encanta com um visual pictórico, colorido, e rico em detalhes. Planos que, com mestria, capturam as lutas e seus belíssimos movimentos, assim como tons melancólicos nas expressões dos actores em cenas mais dramáticas. O cineasta preza pelo visual, que abrange os mais diferentes ambientes como desertos, escolas de caligrafia, palácios e florestas.

O filme decorre na China antiga, há aproximadamente dois mil anos atrás, antes até mesmo de existir o primeiro imperador da China, que era divida em seis reinos. Qin era o maior governador dentre esses seis reinos, o que obviamente lhe rendeu alguns inimigos. Num determinado dia, ouve-se a notícia de que um guerreiro sem nome havia derrotado os três maiores inimigos do governador. Logo, o governador convida tal guerreiro para contar a sua história e como ele conseguiu derrotar os assassinos.

Com clara influencia em Rashômon, de Akira Kurosawa, Yimou preocupou-se em contar a história do filme sobre pontos de vista diferentes, sendo que dessa maneira a trama vai mudando o seu rumo no decorrer de sua duração. E é em cada vertente que Yimou toma a liberdade de explorar a fotografia e a direcção de arte. Cada ponto de vista é captado com uma cor predominante.

Ora tudo no cenário é branco, ora tudo é vermelho, ora tudo é verde. O que também não fica para trás são as lutas que foram magistralmente coreografadas de forma dramática, em alguns momentos são velozes e outros são mais lentas e expressivas, o que acaba por completar o tom poético do filme.

O elenco é formado pelas mais brilhantes estrelas do cinema chinês actual, contando com os sempre excelentes Tony Yeung, Donnie Yen, Maggie Cheung (que emociona com uma belíssima interpretação), a gracinha da Zhang Ziyi e Jet Li, que mostra que sua performance vai além de dar pancadas, e surpreende com uma interpretação firme e convincente. Mesmo sendo datado, Hero é um filme que vale a pena conferir, pela arte, poesia, emoção e beleza que encantam qualquer tipo de público.

Classificação: 9/10

Monsenhor

7 Comments:

Blogger Lua Obscura said...

Questão/desafio sobre os filmes de Almodóvar!!!

4:00 da tarde  
Anonymous Monsenhor said...

?

4:27 da tarde  
Blogger Julio Bezerra said...

Caros Cine Asia
Tudo bem? Escrevo aqui do Brasil. Descobri faz pouco tempo do Cine Asia e o tenho frequentado regurlarmente. Gostaria de convida-los a conhecer o blog que criei recentemente, chama-se Kinos. Bom, sintam-se à vontade para visitá-lo.
http://www.cinekinos.blogspot.com

4:46 da manhã  
Anonymous Takeo Maruyama said...

É, pra quem gosta de poesias e afins, um bom filme. Pra quem gosta mais de filmes de artes marciais, uma decepção... Lutas espalhafatosas filmadas quase que completamente em câmera lenta = um ótimo remédio pra insônia. A única luta que se salva é entre Jet Li e Donnie Yen. Particularmente gostei mais de House Of Flying Daggers. Sim, é um filme muito mais comercial, mas as lutas são mais interessantes, e os atores, mais expressivos. Em Hero todos os atores passam o filme inteiro com a mesma expressão apática, menos Chen Daoming (o governador Qin), o melhor ator da obra. Enfim, achei Hero um filme superestimado. Parece que faço parte da minoria...

5:49 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Takeo, meu caro, bem vindo de volta!

Já estava com saudades dos seus oportunos comentários. eh eh. Qt a Hero, eu não sou grande adepto de Swordplay, mas admito que visualmente é uma obra-prima e a nível de argumento não é a confusão que é O Segredo dos Punhais Voadores...

Julio Bezerra: Com certeza darei uma saltada no seu blogue. Obrigado pelas visitas e boa sorte no seu projecto.

Abraço.

Sérgio Lopes

11:44 da tarde  
Blogger João Paulo Esperança said...

"Com clara influencia em Rashômon, de Akira Kurosawa, Yimou preocupou-se em contar a história do filme sobre pontos de vista diferentes, sendo que dessa maneira a trama vai mudando o seu rumo no decorrer de sua duração."

Pelo que dizes o Kurosawa fez um filme intitulado "Rashomon". Não vi, mas acredito em ti. Mas olha que a técnica de contar a mesma história sob pontos de vista diferentes não foi inovação dele, ele limitou-se a manter-se fiel ao livro original "Rashomon" de Ryunosuke Akutagawa (esse sim, eu li, mas em tradução inglesa de Takashi Kojima - e eu sei estes nomes japoneses todos porque fu buscar o livro à prateleira e estou com ele na mão...)

1:49 da manhã  
Blogger João Paulo Esperança said...

Esqueci-me de dizer que adorei o "Hero". Por mim, nota 10.

1:50 da manhã  

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