terça-feira, agosto 15, 2006

Re-Cycle (Gwai Wik)


Hong-Kong, 2006, 108Min.

Página Oficial -
Trailer Hi Med Low - Fotos

Sinopse: Ting-Yin é uma escritora de sucesso que começa a escrever o seu novo livro. Após rascunhar um capítulo, ela pára de escrever e envia o arquivo para o lixo. Mais tarde, ela começa a ter visões, como a de uma mulher que aparece repetidas vezes em determinados lugares. Esses fenômenos não têm explicação e Ting-Yin passa a achar que o que escreve acontece no mundo real...

Crítica: O desempenho apenas mediano das duas sequências de THE EYE caminha junto com um certo desgaste que apresenta o terror oriental, resultado de uma falta de renovação e de criatividade em apresentar novas idéias. Os irmãos Oxide e Danny Pang, não só se apercebem disso, como também tentam renovar o gênero num filme de certa forma metaliguístico, onde fazem do exagero a sua principal ferramenta para tentar neutralizar a previsibilidade, transformando o filme muito mais do que um filme de terror, mas sim uma fantasia que nos remete até a obras de Charles Dickens (“Um Conto de Natal”) e “Alice no País das Maravilhas”.

A mais recente produção dos Pang incorpora todos os elementos que estavam presentes, não só nos seus filmes anteriores, mas como também em grande parte dos filmes asiáticos de horror de culto. Mais do que explorá-los, eles simplesmente colocam-nos enfileirados, transformando o filme num verdadeiro desfile de aberrações com mulheres de cabelos comprido, crianças com cara de mal, águas escorrendo pelas paredes etc. Ao mesmo tempo, não esquecem os elementos dramáticos, como dramas familiares e amorosos, além de dualidades espirituais apresentadas principalmente em THE EYE 2. Mas mais do que isso, utilizam clichês como vultos em segundo plano, sons misterioros ao telefone, pessoas estranhas no elevador etc, tornando os sustos altamente previsíveis. Além de forçar em demasia um ambiente aterrorizador, mesmo quando ele simplesmente não existe, resultado do abuso dos scores sonoros e, novamente, do exagero.

Em Re-Cycle, temos Ting Yin, uma escritora de sucesso que, após três romances, resolve escrever um livro sobrenatural batizado justamente de “Re-Cycle”. Ao mesmo tempo, um antigo namorado que a havia abandonado há mais de oito anos reaparece. À medida que ela escreve o livro, estanhos acontecimentos tomam conta da sua vida. Aos poucos, vê-se consumida por esses fenômenos até perceber que está diante de um pesadelo sem saída onde a realidade e a fantasia se fundem. Assim, tenta desesperadamente encontrar uma saída. Um pesadelo que mescla ambientes em ruínas com elementos fantasiosos de lembranças apagadas que lembram de certa forma THE CELL (Tarsem Singh, 2000).

Apesar do certo mistério que cerca a primeira metade do filme, onde se questiona o que seria aquele universo paralelo onde se encontra a protagonista principal, aos poucos o filme torna-se altamente previsivel; mesmo assim, os irmãos Pang procuram trabalhar o enredo o máximo possível adiando um mistério, por muitos, já solucionado. Mas a derrapagem crucial fica mesmo nos momentos espirituais, filosóficos e religiosos, onde eles tentam empurrar para nós um tema bastante trabalhado em seus filmes anteriores, que multiplicado pela dose de exagero natural do filme, torna-se um elemento desgastante.

Exagero que combinado com o uso demasiado de clichês e sua forte previsibilidade fazem do filme um exercício de paciência, onde prevalece um sentimento misto de chatice e que estamos diante de um ridículo. Apesar disso, é inegável a qualidade visual apresentada em RE-CYCLE. Os cenários; a fotografia em tons monocromáticos opacos alternando com momentos extremamente saturados; fazem do filme um deleite visual de um mundo sobrenatural. No final, fica a impressão que os realizadores queriam mesmo dar um desfecho ou até mesmo uma releitura para o gênero que o consagraram. Principalmente quando se coloca a figura dos Pang no lugar da escritora Ting Yin, que em certo momento do filme tem a seguinte fala: “Uma parte do que escrevo é inspirado em acontecimentos que vivi”.

Classificação: 5/10

Ric Bakemon

8 Comments:

Blogger cine-asia said...

Vou vê-lo hoje. Tenho grandes expectativas em relação a RE-Cycle. Até foi bem recebido em Cannes... Depois dou a minha opinião.

Cumprimentos,

Sérgio Lopes

12:10 da manhã  
Anonymous Bakemon said...

Sérgio, depois poste sua opinião. Como percebeste eu não gostei muito... Abraço!

5:59 da tarde  
Blogger João said...

Desde já quero dar-te os parabéns pelo blog. Excelente meio de divulgação do cinema asiático. Observei algumas criticas e concordo com algumas opiniões. Devo actualizar a minha lista de compras com sugestões que retirei neste blog.

9:06 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Vi ontem Re-cycle. Gostei bastante do ambiente, dos cenários e da estética visual. Já se sabe que os irmãos Pang não são dos melhores a contar histórias... Mas visualmente são soberbos.

No fundo acabo por concordar em boa parte com a tua crítica Ric. No entanto, eu era capaz de dar 6/10.

Abraço

Sérgio Lopes

9:36 da manhã  
Blogger cine-asia said...

João, obrigado pelos elogios.

Fico imensamente satisfeito com comentários e elogios como os teus.

Vai aparecendo.

Cumpriemntos,

Sérgio Lopes

9:41 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Olá!
Em primeiro lugar queria dar os parabens pelo excelente blog!
Agora em relação à sua crítica apenas não concordo quando refere que o filme The Eye é mediano. A sequela até o pode ser mas o primeiro considero em comparação aos restantes filmes de terror oriental ou até aos (pobres) remakes feitos pela industria cinematografica americana. A história pode pode não ser o ponto forte mas a atmosfera é simplesmente excelente.

Cumprimentos,
Daniel Rosa

1:52 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Daniel obrigado pelos elogios!

Quanto ao que mencionaste, acho que O Ric Bakemon foi bem claro ao indicar "as duas sequências de The Eye" que são medianas. Penso que ele se referiu a The Eye 2 e The Eye 10 (penso eu).

Porque não há dúvida que The Eye é um dos melhores filmes de horror asiático...

Abraço

Sérgio Lopes

2:39 da tarde  
Anonymous Luis Peres said...

Pessoalmente penso que este é um dos melhores filmes de Fantasia que sairam nos ultimos anos. Apesar de começar como filme de terror típico a pouco e pouco torna-se numa espécie de versão macabra de filmes como "Labyrinth", em estilo Silent Hill que na minha opinião resulta plenamente.
Gostei do ambiente, e do final do filme apesar de previsivel e com um argumento cheio de clichés dentro do terror oriental penso que a mistura final é simplesmente excelente.
Acima de tudo contém uma coisa que me atrai sempre bastante no cinema oriental que é o humanismo de algumas situações mesmo nos momentos mais inesperados. Neste caso falo da sequência com os mortos vivos no cemitério que conseguiu transmitir um tipo de emoção que não esperava alguma vez encontrar num filme com mortos vivos, num momento não só bastante humano como também bastante poético.
Gostei da imaginação dos ambientes visuais e na realidade só não dou 10 em 10 a este filme porque não compreendo porque foi deixada de fora a lindissima sequência da floresta das relações perdidas que se encontra apenas nos extras do dvd.
Por isso pela minha parte estou muito contente em ter comprado este dvd sem saber absolutamente nada sobre o filme. Não esperava mais que um normal filme de terror oriental e no final encontrei um dos filmes de Fantasia mais interessantes e poéticos de que me lembro de ver.
Pela minha parte 9 em 10 na maior das calmas e mesmo quando se sabe o final continua a ter um replay-value fantástico para todos aqueles que gostam de filmes de fantasia com um tom dark com um cheirinho de Silent Hill (jogo).

9:59 da tarde  

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