terça-feira, novembro 14, 2006

Time (Shi Gan)

Coreia do Sul/Japão, 2006, 97Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Desiludida com o relacionamento cada vez mais frio, uma mulher resolve fazer uma operação plástica ao seu rosto sem conhecimento do namorado para tentar esquentar a relação.

Crítica: Ji-woo e Seh-hee formam o que os manuais das revistas cosmopolitas descrevem como sendo um casal perfeito: apaixonados, bem-sucedidos, bonitos e prontos para a diversão. Mas o tempo faz com que essa perfeição se transforme numa desonfiança e dúvida sobre o quanto esse relacionamente está realmente estável, a começar pelo apelo sexual cada vez mais distante e artificialmente aquecido. Mas é Se-hee, que usa o seu feeling essecialmente feminino para empregar uma atmosfera de decadência no meio daquela aparente tranquilidade.

Esse sentimento logo se transforma numa terrível obsessão para manter o relacionamento. O medo da rejeição causa uma cegueira onde a única luz possível de se encontrar é representada pela operação plástica. Mas a incenssatez dessa atitude não se resume somente na intervenção cirúrgica. Toda a atitude que cerca a operação representa o desespero presente na mulher. Após a cirurgia, Se-hee desaparece da vida de Ji-Woo como num passe de mágica, que por sua vez tenta construir novos relacionamentos.

Apesar de “Time” tentar fugir um pouco do seu filme anterior, “The Bow” e se aprofundar um pouco mais num humor cinzento usado por exemplo em “3-iron”, as semelhanças ainda são muitas e fazem-se notar quando comparamos a busca de um relacionamento estável por parte de seus personagens. Nestes três filmes, e até mesmo em filmes mais antigos, como “Spring...” ou “Bad Guy” vemos essa tentativa desesperada por um amor distante aparentemente possível somente em contos de fadas.

E é justamente essa busca, que também pode ser vista como uma fuga da solidão, que Ki-duk retrata nos seus filmes, incluindo aí “Time”. De alguma forma, todos compartilham de uma solidão que procuram esquecer para atingir novos horizontes.

Mais do que a busca incessante e infinita pela beleza corporal, o que se vê no filme é exatamente uma alegoria dos tempos modernos onde tudo pode parecer descartável. Não só os bens materiais, como o telemóvel, o carro, as roupas podem ser trocados num curto prazo de tempo. O corpo também é visto como um objeto de qualidade equivalente. Nele, não só o rosto, mas também o próprio relacionamento podem ser vistos como itens descartáveis ou recicláveis.

E, como não poderia deixar de ser, o filme é quase todo ambientado em Seoul, uma metróploe em plena modernização onde este aspecto descartável caminha junto com a tecnologia cada vez mais presente. Não é por acaso que os poucos momentos de reflexão e de fuga por parte dos personagens estão ambientados numa ilha distante da capital, onde eles tentam relembrar o passado e reencontrar com outros personagens para um recomeço.

O realizador trabalha também com o principal sentimento presente nos tempos contemporâneos: o medo. O medo de estar desactualizado dos maneirismos comportamentais e o medo de estar esteticamente fora dos padrões exigidos por uma sociedade consumista que pode comprar uma operação plástica como se estivesse a comprar um cosmético por meio de um catálogo qualquer.

Muitos criticam o trabalho de Kim Ki-duk, onde delatam o abuso de uma poesia forçada; de disparar enormes vazios ao lado de clichês orientais ou de superficiliades para agradar estrangeiros. Mas negam-se a ver na junção desses e de outros elementos o apelo dos seus filmes. Orientalismo? Ora, mas onde pensam que ele nasceu? Enfim, só o tempo dirá se ele realmente está no caminho certo. Mas uma coisa é certa. Conseguir levantar tamanha controvérsia e raiva por parte da crítica é meio caminho andado para ter o seu nome escrito na história.

Classificação: 9/10

Ric Bakemon

4 Comments:

Blogger venis said...

Gostei muito do filme.
Tudo nele é bonito, desde as cenas no café, as cenas das estátuas, o relacionamento de ambos, a música, a realização, e por fim o... fim!
Gostei muito de ler a tua opinião.
Cheers

11:15 da tarde  
Blogger Ricardo said...

mto bom filme, mto bom.

5:25 da tarde  
Blogger miss said...

Filme soco no estômago... life is unfair, kill yourself or get over it. Fica a mensagem. =)
Nem preciso dizer que A.M.E.I!

3:57 da tarde  
Anonymous Popet said...

Acabei de ver o filme, e fiqei sem nenhuma reacçao.

Nao consigo dizer que adorei , ou q detestei, apenas q percebi a mensagem.

3:54 da tarde  

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