quarta-feira, novembro 02, 2005

Audition (Odishon)


Japão, 1999, 115Min.
Página Oficial - Trailer - Fotos

Takashi Miike é um dos cineastas japoneses mais singulares, criando nos seus filmes uma atmosfera de horror, servida por um festival gore e de violência gráfica, susceptível de chocar qualquer espectador. Audition – Anjo ou Demónio, é talvez o título mais emblemático, pois contém todos os traços característicos da sua filmografia que tornou o cineasta conhecido fora do continente asiático.

Sinopse: Sete anos após a morte da sua esposa, um executivo de uma grande empresa, Aoyama, com a ajuda de um amigo cineasta, assiste a uma audição para a escolha de uma actriz, para o papel principal. Essa audição tem indirectamente o propósito de encontrar uma possível esposa para Aoyama. Imediatamente, Aoyama fica fascinado por uma das raparigas, Yamazaki Asami, uma bela e misteriosa jovem com formação em ballet. Apesar de Asami não ser seleccionada para o filme, Aoyama liga-lhe e convida-a para jantar. Só volta a contactar a rapariga mais tarde com medo de acelerar as coisas muito rapidamente. Asami deixa o telefone tocar; ela está sozinha, num quarto escuro, mas, na realidade, não está completamente sozinha… Ao seu lado está uma das suas vítimas, que Asami mantém fechada, dentro de um saco, no chão…!


Crítica: Baseado na premissa descrita na sinopse, pode-se dizer que Audition é um filme com duas partes completamente distintas: A primeira parte, narrada a um ritmo lento, com um ambiente de mistério e estudo profundo de personagens, onde é contada uma história de amor; quase como um drama romântico com um tom de violência psicológica e sofrimento humano, subjacentes.

A segunda parte do filme apresenta todos os traços característicos que definem o universo cinematográfico de Takashi Miike: Ultra-violência gráfica e o uso abusivo do gore, alternado com um jogo muito interessante de luzes e cores utilizados pelo realizador para enfatizar as cenas dos sonhos/alucinações, dos protagonistas.

A narrativa passa, portanto, por dois estágios difeentes: primeiro existe um atmosfera lenta e negra de mistério e drama humano, culminando com uma atmosfera colorida e luminosa de horror e violência gráficas. A fotografia e a montagem, de ambas as partes constituintes do filme, têm um papel preponderante para a ligação entre estilos. Essa ligação entre ambas as partes funciona porque Takashi Miike, consegue fazer com que o espectador se interesse pelos personagens. Eihi Shiina, que interpreta o papel de Asami, é simultaneamente bela e terrivelmente maligna e psicologicamente afectada. Esta dualidade é personificada na perfeição pela actriz asiática.


Infelizmente, a singularidade da película é muitas vezes incompreendida devido ao seu conteúdo extremamente violento. Como consequência, tem quase sempre uma leitura ambígua: Demasiado violento para os espectadores de cinema em geral; demasiado intelectual para os fás do terror gore, devido, principalmente, à primeira hora de filme

Audition é um daqueles filmes, que à parte das cenas mais violentas, nos deixa a pensar. Um pouco, à semelhança de Shining, de Stanley Kubrick, depois de o visionarmos, voltam a surgir imediatamente algumas cenas que ficaram gravadas na memória. E quando assim é, vale a pena visionar, porque significa que não se trata de apenas mais um filme…

Classificação: 7/10

Sérgio Lopes

Mais Críticas 1

5 Comments:

Blogger Francisco Mendes said...

Um dos meus filmes predilectos de Miike. E aquele que me apresentou a este brilhante cineasta.

9:48 da manhã  
Blogger cine-asia said...

Realmente achei um filme bastante bom de Takashi Miike. Devo dizer que, por exemplo, o Ichi The Killer e o One Missed Call, já não achei tão interessantes...Mas Audition surpreendeu-me!

7:52 da tarde  
Anonymous Miguel Louro said...

meu deus ainda não ganhei coragem para ver os filmes de Takashi Miike... só vi o trailer du ICHI O ASSASSINO e deu-me muitos arrepios... só cadáveres! enfim a ver vamos se consigo

1 abraço

9:11 da tarde  
Blogger joão said...

Uma obra-prima máxima do terror mais sangrento e sem concessões do cinema asiático. Takashi Miike consegue fazer um dois em um brutal, combinando drama social de forma pausada e contemplativa ao bom estilo do cinema asiático (aliás, até mais comum no cinema japonês) irrompendo de forma repentina para o gore extremo bem caracteristico de Takashi Miike e que eu tanto gosto. Na minha opinião o único defeito do filme é mesmo o pouco cuidado com a cinematografia do filme (nomeadamente a fotografia e a própria realização de Miike por vezes um pouco confusa, apesar de gostar das referências ao Giallo no trabalho de cores em algumas cenas de violência), mas compreende-se, muito por causa do facto de Miike ser um realizador extremamente prolifico e que não possa prestar muita atenção à pós-produção, pois mal acaba de rodar um filme Miike já tá a trabalhar noutro.
Mesmo assim um filme genial e obrigatório, desse brilhante e polémico cineasta que é Takashi Miike.

10/10

12:54 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

kiri kiri kiri...
Que medo!!!
hahahaha

9:34 da manhã  

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