segunda-feira, novembro 14, 2005

Dark Water (Honogurai mizu no soko kara)


Japão, 2002, 102Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos 1 2 3

Hideo Nakata, realizador do filme de culto “Ringu” que deu origem ao remake americano “The Ring – O Aviso”, é também o realizador de “Dark Water” (Honogurai mizu no soko kara), outra obra seminal da recente avalanche de obras de terror asiáticas, que têm sido proveitosas, para os tão bem sucedidos remakes à americana, a maior parte das vezes bem piores que os originais.

É curioso verificar que os remakes de “Ringu” e “Honogurai mizu no soko kara” foram entregues a Gore Verbinski (realizador da aventura “Pirata das Caraíbas”) e Walter Salles (“Diários de Che Guevara”), respectivamente. E enquanto que estes dois remakes até superam os originais em alguns aspectos, o que é curioso verificar é que a sequela de “The Ring” foi entregue a Hideo Nakata (o realizador original) e os resultados ficaram bastante abaixo do que seria de esperar. É uma sequela onde falta praticamente tudo o que tornou “Ringu” um objecto de culto.

Honogurai mizu no soko kara” apresenta algumas similaridades com “Ringu”, tais como a utilização da água como elemento fulcral da tragédia sofrida, a presença fantasmagórica de uma rapariga de longos cabelos negros e o uso de espaços claustrofóbicos para criar o ambiente denso de tensão. Ambas as películas têm o mesmo realizador, Hideo Nakata, e o mesmo argumentista, Koji Suzuki (considerado o Stephen King japonês), daí as semelhanças entre as duas películas.

Sinopse: O argumento do filme centra-se em mãe e filha que mudam para um apartamento enquanto decorre o processo de divórcio litigioso. O apartamento não apresenta grandes condições de habitabilidade mas a mãe acredita ser a solução temporária mais adequada. No entanto, subitamente, começam a aparecer manchas de água no tecto, provenientes do apartamento do andar superior, supostamente vazio. Insegura da sua própria sanidade mental, a mãe inicia uma investigação na tentativa de descobrir o que se está a passar no apartamento. Entretanto, a sua filha começa a adoptar um comportamento bastante estranho afirmando que tem visões de uma menina de cabelos longos e negros…

Crítica: Hideo Nakata é característico por conseguir criar um ambiente de tensão utilizando os espaços claustrofóbicos (poços, elevadores, tanques, etc) para esse efeito. Em “Dark Water” Nakata constrói uma narrativa que deriva do drama humano tendo como pano de fundo o sobrenatural, utilizando habilmente esses elementos. Nos primeiros dois terços de filme o cineasta incide a narrativa no estudo dos personagens, centralizando toda a história numa mãe insegura, preocupada e protectora da sua filha. A situação do divórcio litigioso e dos estranhos fenómenos que sucedem na casa contribuem para uma maior insegurança e intranquilidade da mãe, ao ponto de esta duvidar da sua própria sanidade mental. Hitomi Kuroki tem um desempenho notável como Yoshimi ao personificar uma mãe à beira do colapso, tentando endireitar a sua vida e providenciar o melhor para a sua filha, ao mesmo tempo que tem de lidar com problemas reais e sobrenaturais.

O desenrolar do filme é pois bastante lento até ao clímax final. Com poucos (ou mesmo nenhuns) efeitos especiais Hideo Nakata contrapõe esses momentos de narrativa lenta com um hábil trabalho de câmara e a utilização dos espaços para criar a atmosfera densa de tensão. O clímax final à semelhança de “Ringu” é bastante eficaz e verdadeiramente assustador. Decorre num elevador e tem todos os traços de originalidade do cineasta e … assusta mesmo!

No entanto, após o clímax, ficamos sem compreender a razão pela qual se sucederam os acontecimentos naquele apartamento. É um daqueles finais em aberto, capazes de estragar todo um filme. Contém algumas boas cenas de suspense / terror, é um facto, mas o último terço, após o clímax, consegue arruinar inteiramente a película. A suposta explicação para os acontecimentos é tão desconexa e irreal que quase… insulta o espectador.

Em “Dark Water” é mais uma questão de forma do que de conteúdo Hideo Nakata tentou utilizar uma estória de fantasmas para ilustrar um drama humano, tentando criar um quadro emocional forte suportado pelo sobrenatural. Obviamente, falha em ambos níveis, criando um filme algo desapontante no universo dos filmes de terror asiáticos. Já agora, alguém viu o remake americano? Confesso que, depois de visionar o original, não tive vontade de ver o remake…

Classificação: 5/10

Sérgio Lopes
Mais Críticas 1

9 Comments:

Blogger gonn1000 said...

Não vi o original, mas o remake também descamba no último terço, por isso não perdes muito...

11:56 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Pois, Gonçalo, acredito... É pena. Mas de facto, quando o original falha, não há milagres no remake...

Cumprimentos

9:19 da manhã  
Blogger Thiago Padilha said...

Adorei o seu blog! Mto bom mesmo!

Abraços

5:45 da tarde  
Blogger André Carita said...

Vi o remake no cinema e detestei... Até começou bem mas foi descambado até a um final que considerei ridículo.
Um abraço!

http://cinesphere.blogs.sapo.pt

10:26 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Pois é André, O Gonçalo disse o mesmo. De facto,não tenho vontade de ver um remake a partir de um original com tantas falhas... Cumprimentos,

Sérgio lopes

2:22 da tarde  
Anonymous Karyia said...

5? I disagree...

11:42 da tarde  
Anonymous Inês said...

Pois, eu também não vi o original. Acabei de ver agora o remake e tive de vir à procura de explicações porque me baralhei tambem no fim. Estive o filme todo a pensar que deveria ser daqueles filmes que no fim nos deixa com algum detalhe que nos permite entender a historia toda mas piorou tudo :S

Cumprimentos

9:11 da tarde  
Anonymous Inês said...

Pois, eu também não vi o original. Acabei de ver agora o remake e tive de vir à procura de explicações porque me baralhei tambem no fim. Estive o filme todo a pensar que deveria ser daqueles filmes que no fim nos deixa com algum detalhe que nos permite entender a historia toda mas piorou tudo :S

Cumprimentos

9:12 da tarde  
Anonymous Voncroy said...

Só vi o original e discordo completamente com a review neste blogue, uma vez que achei a sequência final absolutamente metafórica - se realmente aplicarmos o paralelismo do parto à cena do elevador - e o reencontro entre mãe e filha passado uma década foi brilhante. Não é por acaso que o filme foi considerado uma masterpiece cinemática por vários países quando ele foi lançado.

Só uma opinião claro está.

4:26 da manhã  

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