segunda-feira, junho 19, 2006

Aegis (Bôkoku no îgisu)

Japão, 2005, 120Min.

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Sinopse: Isokaze, um cruzador japonês, durante manobras de treino, é sequestrado por um grupo de terroristas pró-militares de um país asiático, liderados por Yeung Fan, que por sua vez, é ajudado por um grupo de militares japoneses movidos por um sentimento de vingança diante da desconfiança com a política militar de seu país, segundo eles, omisso.O objetivo de Yeung Fan é usar Isozake para disparar uma poderosa arma norte-americana chamada Aegis contra a cidade de Tóquio.

Crítica: Aos poucos, o Japão parece estar a levantar as suas armas depois de um período de hibernação forçado após o término da Segunda Guerra Mundial. Na vida real, os primeiros passos foram dados com o envio de militares para o Afeganistão e Iraque, numa prova de apoio à aventura norte-americana nesses países. Hoje, congressistas nacionalistas procuram incorporar valores nacionais e culturais aos estudantes na tentativa de reviver o espírito do guerreiro samurai diante de um imperador com um papel simbólico e de um país que tem a sua liderança na região ameaçada pelo gigante vizinho, China, sem falar dos incontáveis esforços para reaver os cidadãos sequestrados pelos norte-coreanos e tirar o Japão da mira dos mísses daquele país comunista. Ou seja, motivos não faltam.

Sabemos que a vida imita a arte e vice-versa. No campo artístico, esse renascimento acontece na produção de filmes que procuram traduzir essa nova combinação geopolítica, principalmente nas relações instáveis com os países vizinhos, principalmente a China e a Coréia do Norte. Um desses filmes é Aegis, um thriller militar que é uma adaptação do best-seller homônimo de Harutoshi Fukui, que também escreveu “Lorerei”, adaptado para o cinema um pouco antes de Aegis. O que se sucede é um amontoado de cenas de acção repetitivas com clara influência hollywoodiana onde dois oficiais desarmados enfrentam heroicamente um grupo inteiro de rebeldes.

Fica impossível não fazer uma comparação com filmes do gênero “Die Hard”, protagonizados por Bruce Willis (Assalto ao arranha-céus, Assalto ao aeroporto, Die-Hard – A Vingança). Preso à completa falta de criatividade, o filme transforma toda e qualquer situação em deja-vus constantes e apela para o exagero no uso da banda sonora na tentativa de criar o mínimo de tensão. Até mesmo o discurso crítico em relação à política militar japonesa se perde num amontoado de clichês, num filme sem ritmo e sem objectividade, com interpretações medianas do elenco, apesar do esforço de actores consagrados, como Hiroyuki Sanada e Masanobu Ando.

O realizador Junji Sakamoto tentou transformar a obra num produto mais reflexivo, mas claramente ficou longe de atingir esse objectivo. A sensação que fica é que faltou coragem no aprofundamento do tema. Tão pouco conseguiu transformá-lo numa simples obra de entretenimento de fim de semana e ousar mais nas cenas de acção e no desenvolvimento dos personagens principais. Os poucos momentos críticos não assumem independência quando visto na sua totalidade. Além disso, em nenhum momento do filme é citado explicitamente de qual país pertencem os terroristas, embora pistas indiquem que eles venham da China, enquanto que no livro, eles são norte-coreanos. Isto, obviamente é deliberado, para não ferir susceptibilidades.

Por outro lado, lamenta-se o facto da falta de pró-atividade militar caracterizada em situações embaraçosas como na cena inicial do filme quando Sengoku se ajoelha diante de um policia para não levar seus comandados à prisão por se meterem numa luta de rua e depois ser duramente criticado por Kisaragi por se humilhar daquela maneira diante de um civil; mais tarde mostra um primeiro-ministro mais preocupado com sua agenda do que com sua reunião de emergência para tratar do caso dos terroristas.

Até mesmo a tentativa de Sengoku em convencer os militares japoneses rebeldes a desistir do plano em nome da pátria soa como algo banal e vazio. O medo de produzir um filme crítico demais para os dois lados da moeda — segmentos nacionalistas de um lado e liberais de outro — fazem do filme uma obra sem personalidade que se perde em clichés do gênero patriótico, e que o faz navegar nos mares sem nenhum destino e com o sério perigo de se afundar e cair no esquecimento.

Classificação: 4/10

Ric Bakemon

4 Comments:

Anonymous Takeo Maruyama said...

Pois é, Bakemon, Aegis desperdiça uma ótima oportunidade de ser um filme mais memorável. O filme teve um ótimo orçamento e um elenco sensacional, mas é tão fácil de esquecer que dá até pena!

Esse filme não lembra apenas a série Die Hard, mas também outros filmes de ação como Air Force One, com Harrison Ford, e The Rock, com Nicholas Cage. No entanto, as cenas de ação em Aegis são monótonas. Uma pena.

1:40 da tarde  
Blogger Misato said...

A romanização do título não está, correcta, é "Boukoku no Iijisu", mas a palavra "iijisu" pode ser romanizada como "Aegis" porque é suposto ser isso que ela quer dizer.

3:33 da tarde  
Blogger cine-asia said...

obrigado pelo esclarecimeto Misato. Beijinhos.

4:17 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

gostaria de saber onde se acha o filme bunshinsaba aqui no brasil.

8:48 da tarde  

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