quarta-feira, outubro 12, 2005

Three... Extremes


Japão/Hong-Kong/Coreia, 2004, 120Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos

Após o sucesso em 2002 do filme “Three” que conjugava três curtas-metragens de três cineastas independentes asiáticos, a dose é repetida 2 anos mais tarde com “Three…Extremes”. A película junta outros três dos mais consagrados cineastas do continente asiático: o japonês Takashi Miike (nome conceituado da sétima arte, conhecido pela violência extrema e gráfica dos seus filmes), Fruit Chan, o cineasta independente de Hong-Kong, e Park-Chan Wook, a coqueluche do cinema coreano (realizador das obras “Sympathy for Mr. Vengeance” e do premiado em Cannes “Oldboy”)

Three… extremes”, é composto pelos segmentos Box, Dumplings e Cut. Os três segmentos apresentam a marca pessoal de cada realizador e por isso, diferem na forma, argumento, estilo de realização e género narrativo; Todas os três, no entanto, são visualmente arrebatadores, coloridos e denotam grande cuidado no design dos cenários.

Box, Takashi Miike, 40 minutos

O primeiro segmento, Box, realizado por Takashi Miike não tem nada a ver com o festival de violência gráfica apresentado habitualmente pelo realizador. Para quem espera encontrar um segmento repleto de gore, poderá ficar desiludido. Takashi Miike, opta por um registo mais lento e mais próximo de filmes como “a tale of two sisters”, onde realidade e sonho se cruzam na vida da protagonista Kyoko, que é assolada pelas memórias de infância, na qual juntamente com a irmã fazia shows de contorcionismo no circo do pai, e se sente responsável por um acidente ocorrido. Ainda hoje é invadida por essas memórias desoladoras e por demónios interiores. Esta agonia é soberbamente filmada por Miike criando uma atmosfera por vezes surrealista e de insanidade mental.

Dumplings, Fruit Chan, 37 minutos

"Three…Extremes" segue, em crescendo, com Dumplings, de Fruit Chan. Chan apresenta um estudo sobre o envelhecimento e as preocupações inerentes, focando a narrativa numa ex-estrela televisiva que após se retirar do activo e começando a sentir o avanço da idade (o marido mantém casos extra-conjugais com mulheres mais jovens), tenta encontrar o elixir da eterna juventude. Recorre a uma curandeira chinesa (Aunt Mei, interpretada pela sensual Bai Ling) que afirma possuir o segredo da juventude eterna: Dumplings (uma espécie de pastéis de carne chineses). O segredo está no ingrediente do qual são feitos os dumplings… Não o vou desvendar; Só poderei dizer que é simplesmente… arrepiante!

Este segmento deu origem a uma longa-metragem, com cerca de 90 minutos de duração, que se recomenda vivamente uma vez que permite uma melhor compreensão da história e tem uma série de cenas que foram cortadas para este segmento e que são fabulosas.

Cut, Park-Chan Wook, 48 minutos

Three…Extremes”, termina em grande estilo com Cut de Park-Chan Wook. A história centra-se num cineasta de filmes de terror (Ryu) que após regressar do trabalho, encontra a casa assaltada e a sua mulher presa como uma marioneta (e com os dedos presos a um piano). O intruso também se encontra em sua casa. Trata-se de um figurante que sente enorme inveja de Ryu e da forma como ele é incapaz de tratar mal seja quem for. O intruso dá então uma hipótese a Ryu: Se Ryu não provar que é capaz de praticar algum acto de maldade, a sua mulher irá ficar sem um dedo a cada 5 minutos… Escusado será dizer que confissões inesperadas irão surgir e a violência tão comum nos filmes de Park-Chan Wook (tanto física como psicológica) vai despontar.

Veredicto final: Trata-se de um filme que apesar de tudo não deve ser entendido como filme de terror. É antes de mais, um conjunto de três segmentos com elevada qualidade, com temas complexos tais como, demência, inveja, aborto, envelhecimento, etc, dai o rótulo, extreme…

Altamente recomendável.

Classificação: 8/10

Sérgio Lopes

Outras Críticas 1

4 Comments:

Blogger Francisco Mendes said...

Estou ansiosíssimo por este filme... adoro Park Chan-wook!

1:11 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Ya... Mas Park Chan-Wook só realiza o terceiro segmento...

Eu tou mais ansiosos pelo sympathy for lady vengeance!!! Esse vai partir a louça toda...! Cumprimentos.

7:00 da tarde  
Blogger miguel said...

o meu preferido foi o box, do miike. não gostei particularmente do dumplings, chegou inclusivamente a meter-me bastante nojo. o cut do park chan-wook é fabuloso.
enfim, funcionam todos eles (ou quase) bastante bem como curtas metragens, mas como um todo parecem-me um pouco martelados. um abraço!

9:45 da manhã  
Anonymous Karyia said...

Ranking :D

1º Park
2º Miike
3º Fruit

;)

10:46 da tarde  

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