quinta-feira, novembro 03, 2005

Dolls

Japão, 2002, 115Min.

Página Oficial e Trailer - Fotos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Desde 1989 que Takeshi Kitano, escreve e realiza em média um filme por ano (alguns protagoniza), mantendo sempre os traços de originalidade e sensibilidade artística que lhe granjearam notoriedade mundial. Com Dolls, Kitano experimenta a incursão nos domínios da violência psicológica e da tragédia humana.

Sinopse: Trata-se de três histórias sobre amor eterno: Ligados por uma corda vermelha, um casal jovem vagueia em busca de algo perdido; Um yakuza em final de vida regressa ao parque onde costumava encontrar-se com a sua namorada e onde juraram amor eterno; Uma estrela pop feminina desfigurada é confrontada com a fantástica devoção do seu maior fã; São três histórias, subtilmente intercaladas, pela beleza da tristeza…


Crítica: Dolls é um grande filme sobre o amor verdadeiro e o sentido da vida. É um filme deprimentemente belo. É visualmente assombroso e emocionalmente brutal. É, no entanto, perigosamente realizado por Kitano, pois contém inúmeros simbolismos (cores fortes, elementos da cultura japonesa, etc), que quando não correctamente interpretados, podem fazer com que o espectador menos atento, interprete o filme como um conjunto de cenas sem sentido, ou até, um filme aborrecido, tal é a toada lenta da película. E, de facto, quem não gostar de películas com toada lenta, não deve ver este filme…

Na minha opinião, Kitano faz um bom trabalho ao utilizar esses simbolismos para enfatizar o sofrimento dos protagonistas. Com poucos diálogos, o cineasta tenta transpor a história (ou as histórias) para o écrân através das imagens. É um filme altamente metafórico e introspectivo, que vive da estética em detrimento dos diálogos. Tudo deriva daquilo que conseguimos subentender da fabulosa fotografia.

A nível de interpretações, qualquer dos actores é capaz de transmitir o seu estado de espírito utilizando apenas a expressão facial. Seria possível com actores não asiáticos? A nivel de montagem, Kitano utiliza os flashbacks em contraponto com a narrativa lenta para nos mostrar os pesadelos e memórias do passado dos protagonistas.

Em "Dolls" Takeshi Kitano afasta-se da sua peculiar abordagem ao cinema violento (thriller yakuza) e apresenta o seu filme mais poético e introspectivo até à data. No festival de Veneza foi injustamente mal recebido pela crítica, concerteza surpreendida pela mudança extrema de registo do cineasta. Mas é, de facto, um grande filme de Kitano, o que demonstra um realizador talentoso em qualquer registo, mantendo o superior nível de realização e a sua marca pessoal. Recomendável.

Classificação: 8/10

Sérgio Lopes

Mais Críticas 1

7 Comments:

Blogger Paulo VNG said...

Belissimo, pois! :)
Pra ilustrar mais um pouco o txt do sergio eis mais alguns links uteios pra quem tb tenha gostado ou queira ver pela 1ª vez:

http://office-kitano.co.jp/dolls/top.html

http://dolls.supergazol.com/


E pra quem tenha gostado da Kyoko Fukado(Haruna) naquela interpretação de ninfeta e se tenha desesperado pra tentar saber o titulo e eventualmente fazer dl => "Kimino Hitomi ni Koishiteru" ;P

8:45 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Paulo, muito obrigado pelos links. Vou adicioná-los à review do "Dolls".

É este o espirito que pretendo para o blog, que seja dinâmico e que toda a gente queira participar.

Vamos divulgar o cinema asiático!

Cumprimentos.

Sérgio lopes

2:27 da tarde  
Anonymous Miguel Louro said...

O filme mais belo e mais comovente do sempre fabuloso Takeshi Kitano. Pena que a edição portuguesa (Atalanta Filmes) - mesmo contendo uma boa imagem e tradução- não contenha o muito bom "making of" de que fazparte da edição francesa... enfim, já estamos a caminhar melhor em relação ao cinema asiãtico... a falta de interesse das editores permanece... á que continuar a sua divulgação!
A propósito, gostei bastante do teu blog... é necessário
P.S.: É o meu primeiro comment.

10:56 da tarde  
Blogger cine-asia said...

Miguel, obrigado pelas tuas palavras.

Quanto a Dolls é belo e deprimente...

Abraço

Sérgio Lopes

5:58 da tarde  
Blogger Pâm Zakrzewski said...

Olá Sérgio,
Como pelo visto você já deixou de escrever no blog, talvez não veja este cmentário. Assisti Dolls recentemente e fiquei estática na cadeira do cinema depois do filme (aliás, graças à Universidade consegui vê-lo em 35mm!).
Estava a procura de críticas a respeito de Dolls, e como é difícil encontrá-las, em relação a filmes "ocidentais" se assim podemos chamar. Comecei um blog, e gostaria de falar de Dolls, mas pra isso eu busco bases e opiniões alheias, logo, o seu blog me ajudou muito. Sinto que seu trabalho tenha acabado aqui no blog, mas espero que continue no ar para que pelo menos eu possa estar pesquisando outros filmes futuramente.

3:02 da tarde  
Blogger will said...

Revi esse filme hoje, passou no Cine Conhecimento da Futura, gostaria de expressar minha cena preferida do filme: A hora em que a mulher sem memória acha prazer na vida fazendo a bolinha do aparato de plastico voar, é lindo.

4:41 da manhã  
Anonymous Jess said...

Fotografia impecável com certeza, mas eu só consegui o download em japonês por isso entendi pouca coisa das falas, mas pra minha sorte o filme é mais imagens do que palavras, eu peguei o sentido e tudo mas o final ficou um tanto quanto confuso pra mim, eu acho que os dois (casal focado no filme) morrem no final e que a estória do Bunrako do começo é a mesma deles ne, vc sabe se é baseada em alguma peça de Buranko ou algo assim?
Kisses!
See Ya!

4:52 da manhã  

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