sábado, novembro 25, 2006

Woman In The Dunes (Suna no onna)

Japão, 1964, 147Min.

Página Oficial - Trailer - Fotos

Sinopse: Um entomologista Japonês fica cativo num poço de areia habitado por uma mulher solitária, onde é forçado a trabalhar e viver ao lado dela... Aos poucos, o cientista começa a criar um laço intenso com essa mulher que o leva a entrar num hipnótica rotina...

Crítica: Jumpei é um entomologista (estuda insectos) em expedição pelas dunas de areia. Um grupo de pessoas oferece-lhe um local para passar a noite, que se situa numa espécie de cratera (poço de areia), na qual existe apenas uma casa habitada por uma jovem viúva. A sua tarefa é a de diariamente recolher areia, não só para que evite a derrocada do poço de areia, mas também para que os habitantes locais a utilizem para construção.

Jumpei aceita, só que na manhã seguinte a escada que tinha servido para a sua descida, fora removida. Jumpei ficou assim irremediavelmente preso, naquele local estranho, sujeito à rotina hipnótica diária de recolha de areia, uma vez que é forçado a ajudar a mulher para evitar uma derrocada da mesma e consequente morte. O certo, é que após algum tempo, o cientista começa a aceitar o seu destino e a desenvolver um grande afecto por aquela mulher, acabando por se tornar amantes...

Realizado por Hiroshi Teshigahara, a partir do livro de Kobo Abe, Women In The Dunes pauta-se por uma metáfora representativa de uma alegoria existencial e tem de ser visto como tal, como uma espécie de conto bizarro de ficção, que espelha a alienação da sociedade e a inabilidade de fugirmos à nossa própria prisão individual, bem como não sermos capazes de ser proactivos e nos acomodarmos a uma rotina stressante e que destrói mente e corpo. E apesar de o filme datar de 1964, pode muito bem ser aplicado aos dias de hoje...

Tal como referido noutras críticas, o filme tem algo de Twilight Zone (A Quinta Dimensão), devido ao ambiente bizarro, decorrente da própria trama. A realização de Teshigahara é sublime, num preto e branco magistral, onde contrastes, sombras e formas são trabalhadas de forma perfeita. A música é hipnótica e enquadra-se sempre no ambiente de constante sobressalto, devido ao perigo de desabamento de areia da prisão natural.

Destaque igualmente para os dois actores principais, que apresentam uma química muito forte e performances crediveis e seguras. Mas na realidade, a verdadeira personagem principal é a areia. è ela que domina toda a narrativa e que por vezes se confunde com os próprios actores. Tem, de facto, um papel fulcral em toda a narrativa de Woman in The Dunes. Há que referir que apesar de o filme datar de 1964, possui grande sensualidade e até algum erotismo, em determinadas cenas chave, o que é de realçar.

Rodado sob um orçamento de apenas 100,000 dólares, Woman In The Dunes é um clássico intemporal do cinema Japonês, mantendo ainda hoje o mesmo impacto que em meados dos anos 60, à data da sua estreia. Vencedor do prémio especial do júri no festival de Cannes em 1964, o poético Woman in the Dunes foi nomeado para os óscares de Hollywood nas categorias de melhor filme de língua não inglesa e de melhor realizador, para Hiroshi Teshigahara. Não venceu em nenhuma delas, mas ficará para sempre na história do cinema japonês como um clássco de culto.

Classificação: 8/10


Sérgio Lopes

1 Comments:

Blogger defaultlooser said...

Parabens, bom blog,pena ser difcil para quem gosta, ver cinema asiatico - so comprando..e onde? as Fnac as vezes nem conhecem os filmes. Gosto de artes marciais e ate pratico, mas cinema asiatico já é bem mais que isso.
Boa continuaçao :)

10:24 da tarde  

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