quarta-feira, junho 13, 2007

After The Rain (Ame Agaru)

França/Japão, 1999, 91 Min.

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Sinopse: Misawa (Akira Terao) é um ronin (samurai sem mestre), que juntamente com a sua esposa anda pelo mundo à procura de emprego. Numa noite, eles são surpreendidos por uma enchente e ficam numa pequena estalagem ao lado de pessoas muito necessitadas. Misawa sai em busca de mantimentos para essas pessoas, utilizando toda a sua técnica de samurai, e desperta a atenção do lorde do feudo local...

Crítica: Koizumi foi assistente de realização de Akira Kurosawa durante 28 anos, desde 1970, inclusive passando pela crise que o realizador sofreu desde Dodeskaden, mas pode ver a recuperação do mesmo com Derzu Uzala e assim por diante. Ame Agaru foi o último argumento escrito pelo mestre criador de Seven Samurai, baseado num conto do escritor Shugoro Yamamoto.

A história trata de pontos bem interessantes, como a mudanças dos tempos, por exemplo. Misawa, ao ser convidado pelo Lorde do feudo para fazer uma demonstração no seu castelo. Mas como ele quebrou o código de ética dos samurais, ele atraiu a ira dos veteranos, que também invejaram a sua técnica e seu talento. É um drama pessoal e simultaneamente colectivo, pois retrata que a era onde os samurais reinavam acabou, cuja nova era é pobre e decadente. Misawa sente isso, ao mesmo tempo em que sente essa mudança de valores, ele não se conforma com a pobreza das pessoas ao redor, tanto que sai de sua conduta para lhes providenciar comida.

Porém se o argumento é interessante, tecnicamente logo se vê que Koizumi não é Kurosawa, nem de longe. Fica claro que uma coisa é o mestre, o professor, aquele que é considerado o ‘imperador’ do cinema oriental, e outra coisa bem diferente é o seu aprendiz, seu aluno, esforçado e só, nada de espetacular ou especial. Ame Agaru é uma obra que fica presa à comparação, a constante citação, ou melhor, a constante recorrência as obras de Kurosawa. Não que a obra seja de todo má, mas a impressão que fica é que o realizador apenas copiou o estilo. Akira Terao, excelente actor, mantém o ritmo e a vontade do expectador de continuar assistindo.

Talvez o único que poderia tirar Ame Agaru do papel seria seu criador. Se Koizumi quis fazer uma homenagem ao mentor, ele obteve algum êxito. Mas como tentativa de se igualar ao imperador, bem... então falhou completamente. Por mais que o cinema asiático e japonês esteja numa óptima e constante evolução, é praticamente impossível surgir um novo Kurosawa. A meu ver, seria algo como surgir um novo Chaplin, alguém que de alguma forma reinventou o cinema.

Marcus Vinicius

2 Comments:

Blogger ian said...

falar que o filme nao é tao bom nao é mto justo!

12:58 da manhã  
Blogger Tato said...

estou ansioso por ver "Love and Honor", o primeiro da trilogia samurai drama, de Yoji Yamada (os outros dois, editados em português, são "A Espada do Samurai" e "A Sombra do Samurai")

3:34 da tarde  

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