terça-feira, agosto 01, 2006

Gohatto (Taboo)

Japão, 1999, 100Min.

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Sinopse: Sozaburo, um jovem de dezoito anos, torna-se um dos membros dum esquadrão de samurais especialmente seleccionados pelo Shogun, conhecidos como Shinsengumi. Os guerreiros, extremamente hábeis no uso de espadas, são treinados para matar quem se opuser ao regime do Shogun. Sozaburo envolve-se numa relação homossexual com alguns dos guerreiros do grupo...

Crítica: Gohatto / Taboo, explora a homossexualidade entre samurais, na pele de um jovem que pelas suas características efeminadas, começa a ser alvo de cobiça por parte dos colegas também aspirantes a samurais. Sim… antes de Brokeback Mountain, já Nagisa Oshima, conhecido entre nós pelo filme “O Império dos Sentidos”, em 1999, explorava o sempre controverso tema da homossexualidade, mas dessa vez, entre samurais.

Polémicas à parte, Taboo é um exercício visualmente assombroso e deliberadamente narrado de forma lenta, de modo a que as personagens se desenvolvam naturalmente. Nagisa Oshima cria um ambiente negro e poderoso, que literalmente nos transporta para a era Shogun. Com poucas cenas de batalha, resumindo-se quase em exclusivo ao treino dos wanna be samurais, Oshima prefere focar a sua atenção nos conflitos interpessoais no acampamento, centrados sempre na pessoa de Sozaburo, interpretado de forma magistral por Ryuhei Matsuda, que cria um personagem no exterior de aparência frágil, e belo (é o objecto de desejo de muitos colegas), mas que interiormente é bem mais forte do que se possa pensar.

O restante elenco cumpre perfeitamente o seu papel, destacando-se obviamente Takeshi kitano, no papel de um dos professores do acampamento, igual a si próprio. No entanto, para quem vai à procura de um filme sobre samurais ficará desiludido. Não é essa a intenção de Oshima. O cineasta toca num tema polémico no Japão e talvez por isso, muita coisa fique por responder. O final do filme deixa muitas coisas em aberto, quase como que para o espectador reflectir e decidir a posição a tomar.

Taboo é um filme que no fundo se pode traduzir como uma metáfora sobre o poder da beleza. Tal como Brokeback Mountain, os estereótipos macho são completamente derrubados. Cowboy Gay? ou Samurai gay? é coisa que não existe. Pelos vistos, para Oshima, existe (e nós sabemos que sim), é um tabu e continuará a ser. E o filme de Oshima, longe de ser uma obra-prima e apesar de demasiado lento e pouco incisivo, consegue pelo menos, a espaços, deslumbrar, perturbar e deixar o espectador a pensar.

Classificação: 6/10

Sérgio Lopes

1 Comments:

Anonymous vicky said...

ah...10...O filme é maravilhoso...O cenário,tudo muito bom e claro.Também teve mais uma admirável representação do Ryuhei,que claro,não deixa a desejar e praticamente entra no personagem.Acabei entendendo um pouco mais sobre os lobos e com cetreza foi um filme inesqueçível.

2:51 da manhã  

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