sábado, abril 05, 2008

Days of Being Wild (A Fei zheng chuan)


Hong Kong, 1991, 91 min.

Página Oficial - Trailer - Fotos


Sinopse: Yuddy (Leslie Cheung) é um homem diletante que seduz mulheres mas mantém uma relação conturbada com a mãe adoptiva (Rebecca Pan), a quem pressiona para saber a identidade e o paradeiro da mãe verdadeiro. Uma das mulheres com quem ele se relaciona é Li zhen (Maggie Cheung), que termina a relação e fica destroçada quando ele não a aceita de volta. O guarda da zona, Tide (Andy Lau), torna-se seu confidente e desenvolve silenciosamente uma particular afeição por ela. Entretanto Yuddy enceta uma relação com Mimi (Carina Lau), mulher extrovertida a quem também acaba por deixar. Para Yuddy a única mulher que interessava conhecer era a mãe incógnita.

Crítica: Days of Being Wild é o segundo filme realizado por Wong Kar-Wai mas o seu estilo já se encontra aqui bem definido. A nível de enredo encontramos as histórias cruzadas e os conflitos interiores das personagens, algumas bastante complexas, como o protagonista. Este rejeita as mulheres com quem se relaciona (e mesmo a madrasta, com quem mantém laços de natureza ambígua) e apenas se mostra empenhado em descobrir a mãe. Na verdade, a busca era por si próprio, pela sua verdadeira identidade.

As palavras aqui têm uma importância secundária. Importa construir uma atmosfera, sugerir com uma subtileza admirável estados de alma. Veja-se a cena em que Maggie Cheung fala com Tide de fora do portão, como se estivesse em frente das grades de uma prisão, retrato visual de uma prisão... emocional. Importa também evocar o tempo (outro aspecto característico de filmes de Wong) e os seus efeitos, seja pela referência constante ao minuto que selou eternamente a ligação de Yuddy e Li zhen, seja pelos vários planos de relógios.


Dos espaços notamos a predilecção pelos quartos e cafés, bem como pelas ruas, com uma mostra do que é a arte de filmar pessoas a andar. Por todo o filme observamos um cuidado particular com a fotografia – este filme assinala o início da colaboração com Christopher Doyle – onde a criação de um ambiente sedutor e melancólico é muito feita pelas cores e pelas sombras. Há um sentido nostálgico notório, que encontraremos na sua forma perfeita em In The Mood For Love. Também aqui se evoca um tempo passado e também aqui as figuras das personagens principais pautam pela elegância, embora acompanhadas de uma certa aura decadentista. Há que referir ainda a bela banda sonora, sendo a música claramente uma área em que os filmes de Wong Kar-Wai também se destacam.

Este filme reúne vários nomes sonantes do cinema e/ou da música chinesa. Em grande destaque temos Leslie Cheung, que tem uma prestação assinalável como Yuddy, construindo uma personagem fria e narcisista mas, ao mesmo tempo, apenas perdida. Alguns anos depois ele teria o papel de uma vida em Farewell My Concubine, de Chen Kaige (aos 46 anos pôs termo à vida, deixando a memória de uma carreira de retumbante sucesso na música e no cinema chinês). Refiram-se ainda a contenção de Andy Lau, a exuberância de Carina Lau e a presença da veterana da canção Rebecca Pan. Mas a composição mais tocante acaba por ser a de Maggie Cheung como a frágil Li zhen.

Days of Being Wild é pois um brilhante exemplo da mestria de Wong Kar-Wai, e em como ela já era evidente nos primeiros trabalhos. A poucas semanas de o reencontrarmos em My Blueberry Nights, que abrirá o festival Indie Lisboa, é sempre bom voltar à sua obra extraordinária.


Helena F.

2 Comments:

Blogger THE NADER said...

Mais a juntar na imensa lista de filmes que ainda tenho que ver :)

6:38 da tarde  
Blogger Ibertson Medeiros said...

Por incrível que pareça, só cheguei a ver Amor á Flor da pele (In the Mood for Love) do Wong Kar-wai.
Quero ver My Blueberry nights e 2046, dentre outras obras desse famoso diretor oriental.
Valeu pela dica!

6:27 da manhã  

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