segunda-feira, setembro 03, 2007

Big Bang Love: Juvenile A (46-okunen no koi)

Japão, 2006, 85Min.

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Sinopse:
Dois jovens são presos no mesmo dia, cumprindo penas por crimes de homicídio não relacionados. Yun (Matsuda), tímido e bem parecido, é alvo previsível de desejos e abusos por parte de outros prisioneiros, mas Shiro (Ando), frio e violento, sem pestanejar antes de enfrentar, a soco e pontapé, meia dúzia de oponentes, decide protegê-lo. Um dia, sem que nada o pudesse fazer prever, os guardas encontram Yun com as mãos em redor do pescoço de Shiro, já inerte. Como que a prever a incredulidade de todos, enquanto é levado pelos guardas, Yun assegura que foi ele quem matou Shiro. Dois detectives investigam o caso...

Crítica: Um filme de Takashi Miike é sempre um filme altamente antecipado, pelo culto que o enfant terrible do cinema Japonês gerou com películas emblemáticas caracterizadas pelo uso extremo de violência e do gore e pelo carácter surreal, tais como Ichi The Killer, Audition, ou Gozu, entre tantos outros, já que este prolífero realizador lança vários filmes por ano (!) execedendo-se a maior parte das vezes. Big Bang Love: juvenile A, não é excepção. Embora não seja um típico produto Miike, faltando-lhe os elementos mais característicos da sua filmografia é um filme de autor na linha de David Lynch, ou Lars Von Trier.

A acção decorre num estabelecimento prisional futurista (ou será uma prisão na mente dos protagonistas), na qual é investigado o assassinato de um dos prisioneiros, Shiro - um sujeito extremamente violento-, cuja principal suspeita recai sobre o tímido e introvertido Yun, apanhado em flagrante com as mãos sobre o pescoço de Shiro, na altura da sua morte. Mas será que o que as testemunhas viram, foi o que relmente aconteceu? A investigação, levada a cabo pela dupla de detectives, é apenas um pretexto para um estudo de personalidade de dois homens com perfis opostos, com a curiosidade de terem sido detidos no mesmo dia, culpados de crimes em nada ligados...

A narrativa decorre de forma simples mas invulgar com as perguntas dos detectives chapadas no écrân e as respostas a serem obtidas por meio de flashbacks que vão transmitindo o crescimento do relacionamento entre os dois protagonistas no complexo prisional. Embora a nota dominante seja o subjectivo aleado a algum surrealismo, baseado em simbolismos, o filme apresenta um caracter homoerótico que tenta explicar o sucedido, ou seja o assassinato. Cabe ao espectador tirar as suas ilações, pelo que o filme requer uma visualização atenta (até mesmo uma segunda visualização), dado que o ritmo narrativo é lento, não existindo a espectacularidade e montagem frenética por vezes habitual nas suas obras.

Big Bang Love: Juvenile A, aproxima-se mais a nível formal de Gozu, embora comparativamente seja um filme muito mais introspectivo, um verdadeiro filme de autor: Planos longos nos cenários amplos e futuristas da prisão, a quase ausência de música, alusão a vários simbolismos, na tentativa não de achar um culpado, mas sim a culpa no estado emotivo dos personagens. Personagens esses, diga-se muito fortes dado os magníficos desempenhos de Ryuhei Matsuda (cada vez mais associado ao frágil e tímido objecto sexual masculino) e Ando Masanobu, poderoso e extremamente carismático como Shiro.

Big Bang Love: Juvenile A, é pois imperdível. Mais uma vez Takashi Miike volta a impressionar com um trabalho arrojado e experimental, mas que necessita de muita atenção e introspecção, durante os seus curtos 90 minutos de duração.

Sérgio Lopes

1 Comments:

Blogger Miguel said...

"Big Bang Love: Juvenille A" irá estrear em Portugal pela chancela da NOTRO FILMS!!! É "o" acontecimento deste final de ano!!

1:10 da tarde  

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