sábado, abril 14, 2007

The Twilight Samurai (Tasogare Seibei)

Japão, 2002. 129Min.

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Sinopse: No final do séc. XIX, o samurai Seibei Iguchi leva uma vida sem glória. Perdeu a mulher e tem de sustentar sozinho as duas filhas e a sua mãe. O divórcio de uma amiga de infância leva-o ao confronto com o ex-marido violento, que Seibei vence com uma espada de madeira. A notícia espalha-se e Seibei, contra a sua vontade, é destacado para matar um conhecido guerreiro.

Crítica: Até que ponto vale honrar o posto de samurai diante das inúmeras dificuldades financeiras, pessoais e até históricas que recaem sobre uma única cabeça? Esse pode ser até o ponto central do filme, mas como sempre, Yoji Yamada surpreende com uma visão optimista e graciosa de uma época de mudanças históricas de um país esculpido pelo tradicionalismo que teimava em não aceitar as mudanças.

No final da era Tokugawa e às vésperas da era Meiji, Iguchi Seibei (Hiroyuki Sanada) é um samurai de baixo posto que vive honestamente para tentar levar sua vida da maneira mais tranquila e honrada possível apesar de todas as dificuldades. Viúvo, sustenta as suas duas filhas e ainda cuida da mãe que sofre de amnésia e que fica a maior parte do tempo acamada. Tudo parece mudar quando descobre que Tomoe (Rie Miyazawa), uma amiga de infância está se a divorciar e esta começa a visitar a sua casa.

Neste cenário e nas figuras desses dois personagens, Yoji Yamada apresenta um país em transformação que mantém o tom de formalidade, mas que luta para mudar. Enquanto Seibei procura manter o seu tradicionalismo, Tomoe representa o moderno na pele de uma mulher corajosa que conseguiu o seu divórcio e busca o seu verdadeiro amor deixando de lado, novos casamentos arranjados. Esse encontro muda aos poucos a vida da família que parece reencontrar um novo caminho para as suas vidas.

Como é normal nas suas produções, é interessante ver como Yamada encontra dentro dessa melancolia e dificuldade toda, porções de vida que sinalizam optimismo e uma forte vontade de viver. A diferença aqui é a inclusão de certas doses de tensão nas cenas de confronto entre os samurais. Aí, Yamada deixa toda a beleza natural ou humana de lado, fazendo a tensão prevalecer em primeiro lugar, como no caso do duelo entre Seibei e o ex-marido de Tomoe. Antes e depois da luta, ouvimos ao fundo, o canto dos pássaros e o som do rio, mas no momento do duelo, toda esse som ambiente desaparece, restando somente o som das espadas ao vento.

E não é só nessas alturas que Yamada separa o que significa vida e morte, ou o que é antigo e novo. Enquanto a iluminação e as cores fortes ficam evidentres nos momentos de alegria, as sombras carregadas invadem a tela quando o assunto é exactamente o oposto, impossibilitando até identificar os personagens em alguns momentos.

São esses pequenos detalhes que adicionados a uma excelente actuação dos actores e um texto extraordinário (para não variar) co-escrito pelo próprio Yamada, fazem de TWILIGHT SAMURAI (A sombra do samurai - título português) um dos grande filmes de samurai dessa década, que não necessariamente significa filme de acção. Elementos que só Yoji Yamada seria capaz de sintetizar e representar numa obra formidável como pouco se vê hoje em dia, nomeada inclusivé ao óscar de melhor filme estrangeiro e granjeando inúmeros prémios pelo mundo inteiro, como o Urso de Ouro em Berlim. Um filme de Samurais intimista e imperdível.

Ric Bakemon

2 Comments:

Blogger Tato said...

li em qualquer lado que Yôji Yamada queria fazer um filme sobre a verdadeira vida de um samurai. Já fez (que eu tenha visto) dois. Este e o seguinte: A Espada do Samurai. Ambos excelentes.

4:54 da tarde  
Blogger wasted blues said...

Hum, fiquei muito curiosa. Fizeste-me lembrar também de uma bela surpresa do Fantas deste ano - um filme japonês sobre samurais chamado 'Hana', de Koreeda Hirokazu.

4:33 da manhã  

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